Coimbra  8 de Maio de 2026 | Director: Lino Vinhal

Semanário no Papel - Diário Online

 

Joana Gil

Ó minha Mãe, minha amada

8 de Maio 2026

Estamos em Maio, mês ameno e de Primavera em força. Há um toque florido no ar, não apenas nos jardins, mas também nas montras. Bouquets de rosas, perfumes, mimos diversos são exibidos aqui e acolá, procurando tentar clientes a oferecer um presente no dia da Mãe.

Mas sem pressa: afinal, a “Fête des Mères”, como lhe chamam na Bélgica, tem lugar apenas no próximo dia 10 de Maio. A designação belga ganha à portuguesa em espírito celebratório: festa das mães, qual “dia”, que dias há muitos e servem tanto para recordar alegrias como para homenagear vítimas de tragédias. Festa das Mães, assim mesmo, que a maternidade é coisa que bem merece ser festejada. Os portugueses têm no entanto o mérito da dianteira no calendário. Juntamente com espanhóis, lituanos e húngaros, escolhemos o primeiro domingo de Maio para homenagear as mães. Os belgas assinalam, tal como muitos outros – alemães, italianos, suíços, austríacos, gregos, holandeses ou dinamarqueses, no segundo domingo de Maio. E há ainda os que deixam para o fim do mês, como a França ou a Suécia.

As mães que vivem fora do seu país de origem podem por isso, nalguns casos, contar com dupla celebração. Uma amiga polaca cujos filhos cresceram na Bélgica e já são agora adultos partilhava há dias, em jeito de graça, que enquanto eles eram crianças apareciam sempre em casa com lembranças e palavras amorosas organizadas pela escola para o segundo domingo de Maio. Quando deixaram a escola e esses “lembretes” deixaram de ter lugar, replicavam eles aos protestos da mãe pelo esquecimento: “É que nós agora seguimos o calendário polaco, mãe.”. Ficava assim adiada a festa por mais uns dias, que na Polónia a tradição dita que as mães sejam homenageadas a 26 de Maio.

A associação de Maio ao(s) dia(s) da mãe entronca na tradição católica de designar Maio como o mês de Maria, mãe de Jesus. Esta tradição, que terá tido origem nos EUA no início do século XX, foi-se espalhando rapidamente pelo globo. Em Portugal, a primeira data escolhida para assinalar o Dia da Mãe foi justamente 8 de Dezembro, dia da Imaculada Conceição. Terá sido porém a própria Conferência Episcopal Portuguesa a pedir, pouco depois, que a data fosse alterada, para evitar o aproveitamento comercial do 8 de Dezembro. A escolha do primeiro domingo de Maio radicou no facto de esse ser em princípio um domingo onde não há celebrações religiosas de especial relevância, ao contrário do que sucede mais adiante no mesmo mês, onde surgirão o Pentecostes ou ou a Ascenção. Curiosamente, na Bélgica, há uma cidade que não celebra o Dia da Mãe no segundo domingo de Maio mas sim num dia fixo. Em Antuérpia, a homenagem às mães tem lugar a 15 de Agosto – justamente para coincidir com a Nossa Senhora da Assunção, padroeira daquela cidade.

As mães merecem bem ser celebradas. Elas estão na origem de cada um de nós, são dedicadas, compreensivas, apoiam, dão carinho, mimo, colo, ralhetes, tolerância, exigência, orientação, ajuda, abraços, amor, ensinam-nos tanto do que sabemos, brincam, zangam-se, pedem e dão, afadigam-se, desanimam, entusiasmam-se, riem, preocupam-se com grandes e pequenas coisas, preocupam-se connosco e por nós, estão na rectaguarda a velar por nós, e todas as mães vão partindo deste mundo e certamente continuando a olhar pela sua descendência mesmo depois da morte, porque isto de ser mãe não termina com o fim da vida, nem para elas nem para os filhos, e num tempo em que há tanto medo de ter filhos, vale a pena lembrar que ser mãe é a melhor coisa do mundo. Celebre-se tudo isso, pois, no primeiro, no segundo, no último domingo de Maio, ou num qualquer dia à escolha. Para esta celebração, todos os dias são bons.

Como o próprio título indica, esta crónica vai dedicada à minha mãe.