O presidente da Casa do Povo de Abrunheira (Montemor-o-Velho) foi suspenso do exercício da função, esta sexta-feira, pelo Tribunal de Instrução Criminal de Coimbra, apurou o “Campeão”.
A suspensão, proibição de contactar outros dirigentes da instituição, apresentações semanais à GNR e a prestação de uma caução no montante de 100 000 euros consistem nas medidas de coacção aplicadas, por juiz de instrução, no âmbito de um um inquérito dirigido pelo Ministério Público.
O arguido, com perto de 70 anos de idade, está sob suspeita de cometimento de crimes de burla qualificada e abuso de confiança agravado, revelou a Polícia Judiciária, que coadjuva a entidade titular da acção penal (MP).
Segundo a PJ, o indivíduo terá tirado partido da “especial vulnerabilidade” de um casal de utentes da instituição, “quer em razão da idade, quer em função do estado de saúde”, instrumentalizando, alegadamente, as presumíveis vítimas “de modo a realizar determinados actos lesivos no respectivo património”.
Para o efeito, indica a Polícia, ele terá desenvolvido “esquemas que assentavam em procurações e elaboração de documentos com declarações de consentimento, entre outros meios, apoderando-se ilegitimamente de bens imóveis e valores financeiros a ascenderam a centenas de milhares de euros”.
O casal, cujos membros já faleceram, frequentou, a partir de 2021, uma estrutura residencial para pessoas idosas (lar) e a morte de uma filha (herdeira natural) terá potenciado o cometimento dos presumíveis crimes.