O encenador figueirense Bernardo Beja apresenta, no dia 23 deste mês, às 21h30, no Centro de Artes e Espectáculos da Figueira da Foz, a peça “A Torre das Amoreiras”, espectáculo que encerra a 48.ª edição das Jornadas de Teatro Amador.
A criação parte de uma adaptação de “A Torre de Defesa”, de Copi, e de “Casa de Bonecas”, de Henrik Ibsen, num trabalho desenvolvido em conjunto pela equipa artística liderada por Bernardo Beja. A peça é descrita pelo encenador como uma proposta difícil de classificar, situada entre a comédia absurda e uma espécie de tragédia doméstica.
Em palco estarão seis intérpretes, dando corpo a um conjunto de personagens que inclui um casal homossexual, uma burguesa e a sua filha, uma lésbica, um árabe e ainda uma gaivota.
Criada há cerca de dois anos, “A Torre das Amoreiras” nasceu no âmbito de um apoio da Fundação Gulbenkian, conquistado pelo colectivo de Bernardo Beja por ocasião das comemorações dos 50 anos do 25 de Abril. O espectáculo estreou-se em Lisboa, na Companhia Portuguesa de Bailado Contemporâneo, estrutura que também apoiou o projecto.
Segundo o encenador, a peça procura explorar a liberdade artística e levar mais longe os limites do discurso teatral, assumindo um tom crítico, satírico e cáustico. Para Bernardo Beja, essa dimensão tornou o espectáculo particularmente adequado ao contexto em que foi criado.
Natural da Figueira da Foz e residente em Lisboa, Bernardo Beja é licenciado em Interpretação pela Escola Superior de Teatro e Cinema, licenciado em Gestão pela Universidade Nova e mestre em Estudos de Cultura pela Universidade Católica.
O encenador é também professor e director artístico e financeiro da Escola Profissional de Teatro de Cascais, exercendo funções semelhantes no Teatro Experimental de Cascais. As duas estruturas foram fundadas por Carlos Avilez, falecido em Novembro de 2023.
Apesar de viver em Lisboa, Bernardo Beja mantém uma ligação regular à Figueira da Foz, cidade onde nasceu e onde continua a residir a sua família. Foi também na sua terra natal que iniciou o percurso artístico, com passagem pelo Conservatório David de Sousa, onde estudou dança, e por vários grupos de teatro amador.