Carlos Brito, antigo dirigente do PCP, ex-líder parlamentar comunista e uma das figuras marcantes da vida política portuguesa no pós-25 de Abril, morreu na quinta-feira, aos 93 anos, em Alcoutim, no Algarve.
A informação foi avançada por Paulo Fidalgo, médico e amigo pessoal de Carlos Brito, que integrou também o Movimento Renovação Comunista. Segundo o mesmo responsável, o antigo dirigente comunista tinha estado recentemente internado no Hospital de Faro devido a uma infecção respiratória, tendo recebido alta na passada segunda-feira, já recuperado. A morte ocorreu de forma inesperada, durante a tarde, na sua casa em Alcoutim.
Nascido em Moçambique, em 1933, Carlos Brito dedicou grande parte da sua vida à actividade política. Foi militante do PCP durante 48 anos, tendo desempenhado funções como funcionário do partido, membro do Comité Central, director do jornal Avante!, líder parlamentar e candidato à Presidência da República.
Durante a ditadura, viveu dez anos na clandestinidade e esteve oito anos preso. Após o 25 de Abril, foi eleito para a Assembleia da República, onde permaneceu durante 16 anos, 15 dos quais como líder do grupo parlamentar do PCP.
Em 1980, apresentou-se como candidato às eleições presidenciais, disputadas por Ramalho Eanes e Soares Carneiro, acabando por desistir já perto do acto eleitoral.
A sua relação com o PCP conheceu, mais tarde, um período de afastamento e divergência política. Em 2000, renunciou ao lugar no Comité Central, após 33 anos naquele órgão, por discordar das orientações saídas do XVI Congresso do partido. Já antes tinha manifestado preocupação com o rumo político do PCP.
Carlos Brito viria a estar entre os dirigentes que defenderam a realização de um congresso extraordinário depois dos resultados das autárquicas de 2001. No contexto das divergências entre os chamados “renovadores” e a linha mais ortodoxa do partido, foi suspenso do PCP em 2002, por 10 meses.
Nos últimos anos, encontrava-se retirado da vida política activa em Alcoutim, terra de origem da sua família. Dedicou-se à escrita de poesia e ficção, bem como ao movimento associativo ligado ao desenvolvimento regional.
Carlos Brito era casado e tinha duas filhas. A sua morte encerra um percurso de várias décadas ligado à resistência antifascista, à intervenção parlamentar e ao debate interno da esquerda portuguesa.