A Força Aérea esclareceu hoje que o “estrondo audível” sentido na Figueira da Foz na segunda-feira resultou da “realização de uma missão operacional de F-16M, no âmbito da defesa aérea, em que houve necessidade de ultrapassar a barreira do som”.
“Este tipo de actividade é essencial para garantir a prontidão e eficácia dos meios nacionais na salvaguarda do espaço aéreo, estando a todo o momento assegurado o controlo da situação/actividade”, revelou a Força Aérea, em comunicado.
Esta instituição esclareceu ainda que em “determinadas condições atmosféricas, nomeadamente inversões térmicas ou variações de densidade do ar, pode verificar-se uma maior propagação das ondas de choque, tornando o fenómeno mais audível e abrangente que o expectável à superfície”.
A Força Aérea acrescentou que “não existiu qualquer situação de perigo para a população, tratando-se de uma ocorrência pontual decorrente de operações essenciais à segurança e defesa nacional. A Instituição mantém o seu compromisso permanente com a defesa do espaço aéreo nacional e a segurança dos cidadãos”.
Um forte barulho seguido de uma onda de choque, que durou poucos segundos, ocorrido ao final da manhã de segunda-feira, foi ouvido no litoral Centro, mas não provocou vítimas ou danos materiais, disse naquele dia a Protecção Civil municipal.
Pelas 12h37 de ontem, no parque de estacionamento exterior de uma superfície comercial na vila de Buarcos, Figueira da Foz, a agência Lusa constatou a ocorrência de um curto barulho ‘surdo’ – semelhante a um trovão longínquo – mas claramente audível, imediatamente seguido de uma onda de choque que durou cerca de dois segundos, fez tremer o chão e abanar violentamente os vidros do supermercado.
Fonte do Serviço Municipal de Protecção Civil da Figueira da Foz – cujo edifício está localizado na zona leste da cidade, a cerca de 2,6 quilómetros da referida superfície comercial – vincou também ter ouvido o barulho e sentido a onda de choque, mas indicou que os contactos destinados a identificar a origem do sucedido resultaram, naquele dia, infrutíferos.
A mesma fonte indicou na ocasião que os bombeiros não registaram qualquer chamada de emergência face ao sucedido, tendo também posto de parte ter-se tratado de uma descarga elétrica, por o céu estar limpo à hora da ocorrência e não haver evidência de descargas elétricas em praticamente todo o território continental àquela hora.
Em declarações pelas 16h00 de segunda-feira, mais de três horas depois do incidente, a mesma fonte afastou ainda a hipótese de se ter tratado de um avião de combate a passar a barreira do som, após contacto nesse sentido com a Força Aérea Portuguesa (e de não existirem relatos de um avião ter sobrevoado aquela área) ou de uma possível explosão subaquática – como as que decorrem no leito do rio Mondego, junto ao cais comercial, na obra de aprofundamento da barra.
A esse propósito, fonte da comunidade portuária da Figueira da Foz também enfatizou que os trabalhadores portuários ali em serviço “não ouviram nem sentiram nada”, a exemplo do comandante do Porto da Figueira da Foz, que estava na Capitania, na zona ribeirinha da cidade, na margem direita. No entanto, na margem esquerda do Mondego, na zona do porto de pesca, a jusante do cais comercial, e também nas instalações da papeleira Navigator, cerca de 10 km em linha reta a sul, existiram vários relatos do ocorrido.
Estes, segundo a mesma fonte da Proteção Civil, estenderam-se a povoações do norte e nordeste do concelho da Figueira da Foz (como Quiaios ou Ferreira-a-Nova), Tocha (Cantanhede) e Bunhosa e Arazede (Montemor-o-Velho), entre outros locais.
Contactado pela Lusa na segunda-feira, o Instituto Português do Mar e da Atmosfera admitiu ter recebido vários telefonemas, a reportar o sucedido, esclarecendo, no entanto, que as estações da rede sismológica do continente não registaram nada.