A APIN – Empresa Intermunicipal de Ambiente do Pinhal Interior teve um resultado líquido negativo de 608 mil euros em 2025, mas o exercício mostra uma melhoria dos indicadores financeiros, de acordo com relatório de gestão.
A empresa intermunicipal, que opera na área da água, saneamento e resíduos em 10 concelhos do interior dos distritos de Coimbra e Leiria, teve um resultado líquido negativo em 2025, mas ainda assim longe dos resultados registados em 2023 (2,5 milhões de euros negativos) e em 2022 (1,7 milhões negativos).
Nesses anos, a APIN teve os piores resultados entre empresas municipais e intermunicipais do país, situação que não aconteceu em 2024, ano em que a empresa contabilizou uma indemnização que ainda não foi processada, no âmbito da saída do Município de Penacova daquela entidade.
O exercício de 2025 “evidencia uma melhoria significativa da eficiência operacional e dos indicadores económico-financeiros da empresa, traduzindo-se numa evolução positiva dos resultados face a exercícios anteriores”, notou a APIN, no relatório de gestão e contas de 2025 consultado pela agência Lusa.
“Os resultados financeiros de 2025 refletem uma transição que foi sendo feita na empresa, desde a sua constituição, e os investimentos que foram sendo feitos e que permitem à empresa ter mais eficácia”, disse o presidente da APIN, Rui Sampaio.
O também presidente da Câmara de Góis considerou que, apesar de a empresa intermunicipal manter resultados líquidos negativos, o registo de 2025 “é substancialmente diferente dos outros”. “Se fosse possível deduzir o IVA [situação que a APIN contesta junto da Autoridade Tributária], a APIN já teria resultados positivos, que essa questão tem um impacto de mais de meio milhão de euros”, notou.
Rui Sampaio disse que a empresa intermunicipal, “mantendo o rumo de investimento feito”, está no caminho de conseguir, no futuro, “apresentar resultados líquidos positivos”. Recordou ainda que a realidade dos municípios antes da criação da APIN era de “resultados líquidos negativos muito superiores”.
O presidente da APIN defendeu igualmente uma tarifa de água igual para todos os territórios, tal como acontece com a tarifa da luz, recordando que assegurar o abastecimento de água e saneamento em territórios de baixa densidade demográfica e com “características orográficas difíceis” torna a operação sempre mais cara do que num contexto urbano e densamente povoado.
Sobre o litígio com a Câmara de Penacova, que saiu da APIN, Rui Sampaio afirmou que o processo ainda não terminou, admitindo que a empresa gostaria de resolver o diferendo “da forma mais célere possível”. “Ainda não foi possível encontrar uma solução, que terá também um impacto financeiro [a APIN exige uma indemnização ao município pela saída da empresa]”, afirmou o presidente da empresa intermunicipal.
Segundo o relatório de gestão e contas, a APIN tem continuado a reduzir o número de trabalhadores, que em 2025 eram 176, quando em 2023 eram 207. A APIN opera nos concelhos de Alvaiázere, Ansião, Castanheira de Pera, Figueiró dos Vinhos e Pedrógão Grande (no distrito de Leiria), e nos concelhos de Góis, Lousã, Pampilhosa da Serra, Penela e Vila Nova de Poiares (no distrito de Coimbra), num território com cerca de 66 mil habitantes.