Coimbra  17 de Abril de 2026 | Director: Lino Vinhal

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ERC abre procedimento de averiguações sobre o caso que envolve Ana Abrunhosa e a Lusa

17 de Abril 2026 Jornal Campeão: ERC abre procedimento de averiguações sobre o caso que envolve Ana Abrunhosa e a Lusa

A Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) decidiu abrir um procedimento de averiguações sobre o caso que envolve a presidente da Câmara de Coimbra, Ana Abrunhosa, depois desta ter feito acusações a um jornalista da Lusa.

Contactada pela Lusa, fonte oficial da ERC disse que o Conselho Regulador da ERC, “na sua reunião de 16 de Abril”, analisou o tema, “tendo deliberado a abertura” de um procedimento administrativo de averiguações, ao abrigo das suas competências e atribuições.

Na segunda-feira, o presidente do Sindicato dos Jornalistas (SJ) sublinhou que os jornalistas são escrutinados todos os dias e desafiou Ana Abrunhosa a dizer que “violação grave à ética” fez o jornalista da Lusa João Gaspar.

“Ela [Ana Abrunhosa] questionou se os jornalistas não podem ser escrutinados. São escrutinados todos os dias, como verificamos em vários processos, ultimamente. Não podem é ser punidos ou atacados por escrutinarem quem têm de escrutinar”, disse Luís Filipe Simões à saída da ERC.

Em causa está um incidente ocorrido na última reunião camarária, na sequência da publicação de uma notícia sobre a Casa do Cinema de Coimbra, na qual o jornalista da Lusa dava conta de que o espaço está em risco de perder a sua licença por o Município não avançar com o plano de reabilitação acordado, referindo que questionou o executivo municipal, mas não obteve resposta.

Na sexta-feira, na sequência deste episódio, a Direcção de Informação (DI) da Lusa escreveu uma carta à presidente da Câmara de Coimbra “repudiando acusações” da autarca.

A DI considerou que as acusações feitas pela presidente da Câmara de Coimbra foram “descabidas, infundadas e difamatórias” e reiterou confiança no jornalista João Gaspar, “cujo percurso de jornalismo na Lusa é irrepreensível”.

Também o Conselho de Redação (CR) e a Comissão de Trabalhadores (CT) da Lusa repudiaram as declarações da autarca.

A administração da Lusa condenou a “acusação injustificável” da autarca e defendeu que a atividade de uma agência de notícias não se coaduna com condicionamentos.

“A Lusa celebra este ano o seu 40.º aniversário e os seus valores são o rigor, a clareza, a pluralidade, a independência e a fiabilidade, partilhados por todos os profissionais desta casa através de um serviço público de qualidade. A actividade de uma Agência de Notícias não se coaduna com qualquer condicionamento à prática jornalística por parte de qualquer entidade”, afirmou a administração, numa nota enviada aos trabalhadores.