O 4.º Retrato das Residências Sénior em Portugal, um estudo exaustivo realizado pela Via Sénior em parceria com a BA&N Research Unit, revela que o número de unidades ERPI (Estrutura Residencial para Pessoas Idosas) sem qualquer vaga disponível subiu para 70% em 2025.
Portugal consolidou-se como o segundo mais envelhecido da União Europeia, com 24,3% da população acima dos 65 anos, apenas atrás de Itália (24,75%), e a resposta estrutural é deficitária: Portugal dispõe de apenas quatro camas por cada 100 idosos.
O mercado nacional é composto por cerca de 2.700 residências que gerem mais de 105.000 camas, sendo que mais de metade das unidades (52%) apresenta uma dimensão superior a 30 camas.
Conclui-se que o sector das residências para idosos em Portugal atingiu um ponto de rutura, com o estudo a revelar que mais de dois terços das unidades estão totalmente lotadas, empurrando os preços para valores recorde e deixando as famílias em listas de espera que podem superar os seis meses.
A pressão da procura sobre uma oferta estagnada fez disparar os custos, com cerca de 84,5% das residências a aumentarem as mensalidades no último ano, seno que 38% das unidades aplicaram subidas entre os 2,5% e os 5%. Actualmente, o valor médio ponderado para um quarto individual fixa-se nos 1.921 euros por mês (mais 246 euros que em 2024), mas o valor mediano já atingiu a barreira dos 2.000 euros. Para quem procura opções em quarto duplo, o valor médio é de 1.717 euros, enquanto a tipologia mais económica – o quarto triplo – apresenta uma média de 1.482 euros, valores que permanecem fora do alcance da maioria das pensões nacionais.
Este cenário torna-se ainda mais asfixiante quando confrontado com a realidade dos rendimentos em Portugal. Com um salário médio líquido nacional que mal atinge os 1.200 euros e uma pensão de reforma que, para grande parte dos reformados, oscila entre os 600 e os 900 euros, o custo de uma residência sénior absorve – ou ultrapassa – a totalidade dos rendimentos de um agregado comum.
Para muitas famílias, a manutenção de um idoso nestas condições é um esforço financeiro impossível, restando como única alternativa o cuidado doméstico. Esta solução, contudo, gera um novo ciclo de precariedade, ao revelar-se frequentemente incompatível com as exigências da vida profissional dos cuidadores, forçando escolhas dramáticas entre a estabilidade do emprego e o acompanhamento digno dos seus familiares
A dificuldade das famílias não se resume ao preço, porque quase 70% das instituições têm listas de espera activas. Se em 36% dos casos o tempo de espera ultrapassa os seis meses, existe uma fatia preocupante de 19% das unidades onde o prazo é classificado como “muito indefinido”. Esta estagnação explica-se pela longevidade e baixa rotatividade: 63% dos residentes permanecem entre um a cinco anos e 33,6% ficam entre cinco a dez anos. O perfil é de idades muito avançadas, com mais de metade dos utentes (52,7%) na faixa dos 86 aos 90 anos, exigindo cuidados permanentes e especializados.
Isto tudo é agravado com o facto de Portugal ser o segundo mais envelhecido da União Europeia, com 24,3% da população acima dos 65 anos, apenas atrás de Itália (24,75%).