A grande maioria (96%) dos portugueses com mais de 45 anos preocupa-se com o ambiente, no entanto, um terço admite não adoptar qualquer comportamento sustentável no seu dia-a-dia. Por outro lado, uma percentagem significativa limita-se a separar resíduos, poupar água ou reutilizar sacos. Os dados são de um estudo do Centro de Investigação e Intervenção Social do Iscte (CIS-ISCTE), que analisou os hábitos e as percepções ambientais dos portugueses acima dos 45 anos de idade.
Os inquiridos apontaram a “falta de transportes públicos eficientes, a ausência de políticas públicas eficazes e os custos associados” como obstáculos a comportamentos mais assíduos em termos ambientais. Assim, os resultados da investigação alertam para um desfasamento entre a consciência ambiental e a açcão nesta faixa etária.
“Há uma consciência ambiental generalizada entre a população portuguesa sénior, mas falta capacidade prática para transformar essa preocupação em acção”, revela Sandra Godinho, investigadora e docente do ISCTE, que coordenou o estudo “Take Action For Future Generations” em conjunto com a investigadora Margarida Garrido.
De acordo com a mesma responsável, a maioria dos inquiridos “reconhece a gravidade dos problemas ambientais, mas sente que os seus gestos isolados têm pouco impacto. Há uma ideia recorrente de que cabe ao Estado e às empresas liderar esta transição, criando condições que tornem mais fácil — e financeiramente mais acessível — a adopção de comportamentos sustentáveis no quotidiano”.
Comportamentos sustentáveis comuns entre os portugueses
A separação de resíduos, a poupamça de água e a reutilização de sacos estão entre os comportamentos responsáveis mais comuns entre os portugueses. Segundo o estudo, quando questionados sobre os comportamentos tidos na semana anterior, 42% dos inquiridos falharam na separação do lixo, 43% não pouparam água e 38% afirmou não ter reutilizado sacos.
“39% dos inquiridos apontou dificuldades económicas para não ter práticas sustentáveis, 33% a falta de infraestruturas adequadas, 30% a falta de políticas públicas eficazes, 18% a falta de informação e 15% falou em falta de hábito ou comodidade”, sublinha a investigação, que acrescenta que os temas que mais preocupam os portugueses são “a falta de água, a poluição do ar e o esgotamento de recursos naturais”.
Tendo em conta os dados deste estudo, Sandra Godinho adverte para a importância de serem desenvolvidas mais campanhas de sensibilização para as pessoas seniores. “As pessoas com mais de 45 anos têm um papel decisivo porque, por um lado, constituem a maioria da população e por isso as escolhas que fazem podem ter resultados efectivos”, frisa. Por outro lado, “são uma faixa etária que exerce influência nos hábitos das famílias, nos seus consumos e na formação da opinião pública”, ressalva ainda.