Coimbra  27 de Abril de 2026 | Director: Lino Vinhal

Semanário no Papel - Diário Online

 

Bombeiros de Montemor-o-Velho celebram 92 anos de dedicação à comunidade

18 de Fevereiro 2024 Jornal Campeão: Bombeiros de Montemor-o-Velho celebram 92 anos de dedicação à comunidade

No próximo dia 21 de Fevereiro, a Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Montemor-o-Velho celebra 92 anos de serviço ininterrupto à comunidade. As festividades para marcar esta ocasião começaram no passado dia 3 com um torneio de futebol, simbolizando a união e a força que caracterizam esta instituição ao longo dos anos.

“Estes 92 anos representam uma história de luta por várias gerações de bombeiros”, afirmou Nuno Rasteiro, presidente da Direcção dos Bombeiros de Montemor-o-Velho. O presidente da Associação sublinhou o papel crucial da corporação na protecção das pessoas e dos bens do concelho, destacando a importância da sua presença para a segurança e bem-estar da comunidade local.

No próximo sábado, dia 17 de Fevereiro, a solidariedade estará em destaque com uma Colheita de Sangue, proporcionando uma oportunidade para os voluntários demonstrarem mais uma vez o seu compromisso com a comunidade, além das suas intervenções habituais. No mesmo dia, os bombeiros realizarão uma romagem aos cemitérios da Ereira, Casal do Raposo e Ferreira-a-Nova, em memória daqueles que já partiram. No domingo, dia 18, as homenagens continuarão com o hastear da bandeira e romagem aos cemitérios de Montemor-o-Velho e Arazede, seguido de uma missa comemorativa.

As actividades prosseguem no dia 21 de Fevereiro, data oficial do aniversário da associação, com uma série de eventos que incluem a formatura e o hastear da bandeira no Quartel Sede em Montemor-o-Velho.

No domingo, dia 24 de Fevereiro, as comemorações atingirão o seu ponto alto com uma sessão solene, contando com a presença de autoridades locais, parceiros e membros da comunidade. O evento incluirá a entrega de condecorações e reconhecimentos a bombeiros que se destacaram no último ano.

O presidente da associação destacou o significado deste marco histórico, mas também não deixou de abordar as dificuldades enfrentadas pela corporação. Apesar de uma gestão consistente e eficaz, os bombeiros de Montemor têm sido confrontados com limitações na capacidade de investimento, fruto de sucessivos aumentos de despesas não acompanhados pelos fundos públicos de que dependem.

“O ano de 2023 fica marcado pela incerteza sobre o futuro dos bombeiros”, lamenta Nuno Rasteiro. Esta incerteza permeia as medidas que o Estado pretende adoptar para garantir uma maior operacionalidade e consistência dos corpos de bombeiros, assim como o futuro das associações humanitárias deste sector.

Para o próximo ano, os desafios continuam presentes. Além das questões operacionais inerentes à natureza do serviço prestado, há o desafio de garantir a sustentabilidade económica da corporação. A escalada dos custos, seja com recursos humanos ou equipamentos, coloca pressão adicional sobre a capacidade financeira da associação. O presidente destaca, por exemplo, o custo exorbitante do oxigénio, uma despesa que não é suportada pelo INEM e que pesa nas finanças da instituição.

Actualmente, a Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Montemor-o-Velho conta com 27 operacionais e funcionários, além de aproximadamente 80 voluntários. Embora estejam bem apetrechados em termos de equipamentos e veículos, falta ainda o reforço de viaturas mais desgastadas, como ambulâncias e carros de combate a incêndios.

Questionado sobre como a sociedade civil pode colaborar com a associação, Nuno Rasteiro aponta diversas formas, desde tornar-se sócio e pagar quotas até fazer donativos ou oferecer trabalho voluntário, especialmente durante épocas críticas como os incêndios. A participação da comunidade é essencial para o funcionamento eficaz da instituição e para garantir a continuidade do seu legado.

Por fim, o presidente deixa uma mensagem de apelo à sociedade civil para se aproximar da associação, reconhecendo-a como uma mais-valia e uma parte fundamental da comunidade. “É fundamental que haja uma transferência de conhecimento e uma renovação constante de membros para assegurar que esta importante instituição não desapareça”, sublinha Nuno Rasteiro.