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Um estudo internacional, liderado por Bárbara Gomes da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra e Sílvia Lopes da Escola Nacional de Saúde Pública da Universidade Nova de Lisboa, revela que a percentagem de pessoas que faleceram em casa aumentou em 23 países durante a pandemia de covid-19. Os dados, provenientes de 32 países, foram analisados numa investigação financiada pelo Conselho Europeu de Investigação (ERC), visando compreender o impacto da pandemia no local de óbito das pessoas.
O artigo científico, intitulado “The rise of home death in the COVID-19 pandemic: a population-based study of death certificate data for adults from 32 countries, 2012-2021”, publicado na revista eClinicalMedicine, analisou dados de falecimento de 100,7 milhões de pessoas em 32 países, incluindo Portugal. A pesquisa comparou os locais de morte nos primeiros anos da pandemia (2020-21) com os oito anos anteriores (2012-19).
Contrariamente à tendência observada na maioria dos países analisados, em Portugal, a percentagem de mortes no domicílio diminuiu, passando de 27,4% em 2012-13 para 23,2% na pandemia (2020-21). A equipa de investigação sublinha a importância destes dados para a definição de estratégias e políticas de saúde em cuidados de fim de vida.
A pesquisa abrangeu diversas categorias de locais de morte, incluindo hospitais, outras instituições de saúde e locais desconhecidos. Foram analisados dados de 1,1 milhões de adultos falecidos em Portugal entre 2012 e 2021, considerando o local de óbito, sexo, faixa etária e causas de morte, com destaque para o cancro, demência e covid-19.
As investigadoras destacam que, a nível global, 68% das pessoas falecidas tinham mais de 70 anos, sendo 20,4% vítimas de cancro e 5,8% de demência, com 30,8% a falecerem em casa. Bárbara Gomes e Sílvia Lopes alertam para a necessidade de uma reflexão urgente sobre as escolhas relativas ao local de cuidados de fim de vida em Portugal, considerando as mudanças observadas internacionalmente.
O estudo, desenvolvido no âmbito do projecto EOLinPLACE e financiado com 1,8 milhões de euros pelo ERC, pretende contribuir para a melhoria dos cuidados de saúde em fim de vida e reformular a classificação dos locais de cuidados e óbito. A equipa de investigação incluiu também elementos da Vrije Universiteit Brussel e do Makerere College of Health Sciences.