O Instituto Superior Miguel Torga (ISMT) registou uma quebra de mais de 30% nas novas matrículas no presente ano lectivo e um resultado líquido negativo em 2025 de 70 mil euros, afirmou a Direcção daquela instituição de Coimbra.
“A escola teve um ano difícil, mas foi um ano muito estimulante. A escola sobreviveu e aguentou”, disse o presidente do ISMT, Manuel Castelo Branco, que falava na apresentação dos resultados daquela instituição à Comunidade Intermunicipal da Região de Coimbra (CIMRC), que é proprietária do Instituto.
Durante o Conselho Intermunicipal, que decorreu em Mortágua, o presidente do ISMT recordou a decisão da Agência de Avaliação e Acreditação do Ensino Superior (A3ES) de não acreditar o Instituto Superior Miguel Torga, determinando o seu encerramento, que é contestada em Tribunal pela instituição.
O processo, a que Manuel Castelo Branco chamou de “cerco público e mediático”, tem provocado dano no ISMT, que, mesmo assim, conseguiu não perder no ano de 2025 “um único aluno”, mas registou uma quebra de mais de 30% nos novos alunos (segundo a Secretaria de Estado do Ensino Superior, a média nacional de quebra para o ano lectivo 2025/2026 foi de cerca de 10%).
Apesar de um contexto geral de quebra nacional, a redução de novos alunos teve impacto nas contas do Instituto, notou o presidente, numa sessão em que foram discutidos e votados orçamento e relatório e contas do Instituto.
Segundo o vice-presidente do ISMT, Humberto Oliveira, também presente no Conselho Intermunicipal, as novas matrículas passaram de 285 em 2024/2025 para 183 em 2025/2026, contabilizando um total de 1.140 estudantes.
Depois de um resultado líquido positivo de 373 mil euros em 2024, o ISMT registou 70 mil euros de resultado negativo em 2025, num ano em que o volume de negócios manteve-se praticamente igual, mas em que houve um aumento dos encargos com pessoal, sobretudo relacionado com “o fortalecimento do quadro pessoal” – uma exigência da A3ES -, disse.
Como projecção para 2026, Humberto Oliveira estima como cenário mais pessimista um resultado de 300 mil euros negativos. “Se não recuperarmos o número de alunos podemos ter um impacto financeiro muito negativo no ano que está a decorrer”, disse.
O passivo do ISMT no final de 2025 foi de cerca de 1,3 milhões de euros, referiu. De acordo com Humberto Oliveira, os gastos em publicidade e propaganda passaram de cerca de 20 mil euros para 100 mi euros, tendo sido também contratado um consultor de comunicação, Luís Miguel Viana.
Segundo o vice-presidente, entre Janeiro de 2025 e Abril de 2026, o ISMT teve “376 referências mediáticas”, mais de metade em órgãos nacionais, a partir de notícias sobretudo relacionadas com projectos de investigação de docentes do Miguel Torga. “É a melhor resposta que se pode dar a quem diz que a escola não tem qualidade”, acrescentou Manuel Castelo Branco.
Durante o Conselho Intermunicipal, Manuel Castelo Branco destacou ainda o trabalho que o Instituto tem feito em várias vertentes e iniciativas, nomeadamente de formação curta, mas mostrou também vontade de avançar com uma reformulação da oferta formativa de 1.º e 2.º ciclos.
A presidente da CIMRC, Helena Teodósio, salientou o trabalho que a actual Direcção do ISMT tem feito, afirmando que os próximos tempos “serão de análise e discussão”, que permitam dignificar o passado e presente da instituição.