O Museu Monsenhor Nunes Pereira, no concelho da Pampilhosa da Serra, vai passar por um processo de requalificação e valorização que deverá estar concluído até ao final do ano, numa parceria que envolve várias entidades.
“Queremos fazer uma nova abordagem para o museu, que tem de ter um discurso e uma narrativa para não ser um depósito ou um armazém de peças”, refere a vice-presidente da Câmara de Pampilhosa da Serra, referindo que a intervenção pretende criar novos motivos de interesse e tornar o espaço mais apelativo aos visitantes.
Depois de uma intervenção para melhorar o espaço museológico, situado em Fajão, que está concluída, Alexandra Tomé explicou que o museu está vazio e que as peças foram retiradas para serem inventariadas, catalogadas, descritas e algumas até para serem conservadas, “porque já estavam a ficar com um estado avançado de deterioração”.
Salientando que o museu “está despido e é uma tela em branco”, a autarca salientou que agora tem início o trabalho “que não se vê de criar de criar as próprias narrativas das peças” que vão voltar a ser exibidas, além de serem criados outros motivos de interesse.
“As peças precisam de ser, de certa forma, também preservadas, e vai ser feito esse trabalho, simultaneamente ao trabalho de construção da nova narrativa e do novo discurso expositivo do museu”, sublinhou.
O objectivo é que os visitantes tenham toda a informação sobre monsenhor Nunes Pereira, a sua obra e as suas peças, informações que, segundo Alexandra Tomé, o espaço museológico não dispunha e não permitia uma visitação na sua plenitude.
Além do Município da Pampilhosa da Serra, este projecto envolve o Museu Nacional Machado de Castro (Coimbra), Seminário Maior de Coimbra e a Junta de Freguesia de Fajão, terra natal de monsenhor Nunes Pereira, onde situa o museu. O espólio do Museu terá entre 100 e 150 peças, nos mais variados materiais e técnicas artísticas.
A requalificação insere-se nas comemorações de homenagem “Nunes Pereira. Do nascimento ao [re]nascimento”, que decorre até ao final do ano e envolve um conjunto de municípios unidos pelo legado do sacerdote e artista, que criou a Oficina-Museu do Seminário Maior de Coimbra, onde se encontra grande parte da sua obra artística.
Na assinatura do protocolo de requalificação foi também apresentada a terceira reedição, revista e aumentada da obra “Os Contos de Fajão”, escrita por Nunes Pereira, e exibida a peça de teatro “Encontro com Nunes Pereira”, pelo Teatro Comunitário de Montemor-o-Velho e pela Navio – Companhia de Teatro.
Falecido a 1 de Junho de 2001, aos 94 anos, monsenhor Nunes Pereira foi padre, artista e jornalista, tendo sido uma das figuras mais marcantes da vida religiosa, cultural e cívica de Coimbra, onde foi pároco da freguesia de São Bartolomeu, na Baixa da cidade, durante quase 30 anos.