O Salão Nobre dos Paços do Concelho de Cantanhede foi, na quinta-feira, o palco da apresentação oficial da Associação Nativos do Argilo-Calcário.
A nova associação surge com o propósito central de estimular a produção de vinhos de excelência, focando-se especialmente na atracção de jovens produtores e na valorização das características geológicas únicas da região da Bairrada.
A génese da associação remete a uma história com cerca de 35 anos, protagonizada por figuras de proa da vitivinicultura regional como João Póvoa e Luís Pato. Durante a cerimónia, João Póvoa recordou o “sentimento de solidão” que marcou as primeiras décadas do seu percurso, sentimento esse que se transformou em esperança há cerca de 10 anos com o surgimento de novos interessados na área.
“Percebemos que se devia fazer qualquer coisa para não se perder a tradição”, afirmou Póvoa, sublinhando que a associação pretende evitar que o conhecimento herdado de gerações passadas se desvaneça.
A associação fundamenta a sua missão na riqueza dos solos argilo-calcários, característicos do concelho de Cantanhede. Estes solos, conhecidos pela sua excelente capacidade de retenção de água, são considerados fundamentais para a produção de vinhos de alta qualidade.
Para além da vertente técnica, a Associação Nativos do Argilo-Calcário delineou objectivos estratégicos claros, como a fixação de produtores. Nesse sentido, a associação exige um período experimental de pelo menos três anos para garantir o compromisso dos novos membros com o concelho.
O aconselhamento técnico está também entre os objectivos, com apoio directo para que os vinhos mantenham as características típicas da região e histórias autênticas que o consumidor moderno valoriza.
A associação defende, igualmente, o ordenamento do território, com a promoção da reorganização do território da Bairrada, visando a sua sustentabilidade a longo prazo.
O evento de lançamento incluiu um debate moderado pelo jornalista Luís Baila, com a participação dos enólogos Anselmo Mendes e Bruno Seabra. O debate reforçou a importância estratégica da Bairrada, descrita pelo vereador da Câmara de Cantanhede, Adérito Machado, como o “País das Uvas”.
Segundo o autarca, a Bairrada tem trilhado um “caminho ímpar” a nível nacional e internacional, esperando-se que esta nova associação contribua para manter a visão diferenciada que caracteriza a região.
Pedro Soares, presidente da Rota da Bairrada, referiu eu a região é “pequena para que haja divisões”, considerando que os movimentos associativos “são fundamentais para unir”.
A associação prepara agora a eleição dos seus órgãos para dar continuidade a um plano de trabalho que alia a tradição à inovação geracional.
NA FOTO: Pedro Soares, Adérito Machado e João Póvoa