Coimbra  20 de Abril de 2026 | Director: Lino Vinhal

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Primeira translocação leva 30 lampreias para praia fluvial de Coimbra

20 de Abril 2026 Jornal Campeão: Primeira translocação leva 30 lampreias para praia fluvial de Coimbra

Trinta lampreias-marinhas foram transferidas para a praia fluvial de Palheiros e Zorro, no âmbito de um projecto da Região Metropolitana de Coimbra para a recuperação da população desta espécie na bacia do Mondego.

A primeira translocação de 2026 envolveu a libertação de três dezenas de lampreias-marinhas na Praia Fluvial de Palheiros e Zorro, em Coimbra, que foram capturadas nas zonas de pesca profissional de jurisdição marítima e do Baixo Mondego, com o apoio de pescadores profissionais.

A Região Metropolitana de Coimbra afirmou que as recentes cheias “condicionaram significativamente a campanha de captura” e, até ao momento, mais de 70 lampreias foram capturadas, “estando previstas novas acções de libertação nos próximos dias”.

A entidade apontou tratar-se da terceira translocação no rio Mondego, dando continuidade ao trabalho iniciado em 2025.

“A operação surge na sequência de um período particularmente desafiante para a espécie, marcado, em 2025, por uma menor disponibilidade de lampreia e por diversos constrangimentos operacionais no terreno”.

Em 2025, foram transferidas 38 lampreias adultas para zonas a montante do rio Mondego, próximas de áreas de desova, nomeadamente nas localidades de Louredo e Palheiros.

A intervenção está integrada no Life4Lamprey / Projecto DALIA, cofinanciado por fundos europeus, que representa um investimento de cerca de 100 mil euros, com o objectivo de apoiar a recuperação da população de lampreia-marinha na bacia do Mondego.

A Região Metropolitana de Coimbra, em articulação com os municípios que dela fazem parte, está a tantar conseguir levar lampreias adultas para montante do Açude-Ponte, em Coimbra, e criar santuários para preservar as larvas desta espécie cada vez menos presente no Mondego.

O projecto “assenta numa estratégia integrada e continuada, que inclui captura, translocação, monitorização da espécie, identificação de áreas larvares prioritárias (‘santuários’), acções de sensibilização pública e definição de orientações para uma gestão sustentável”.

De acordo com a Região Metropolitana de Coimbra, o objectivo passa por consolidar uma linha de intervenção consistente, capaz de reforçar a presença da espécie no rio Mondego e contribuir para a melhoria das condições ecológicas deste ecossistema.

Este projecto pretende recuperar a população de lampreia marinha no Rio Mondego através da implementação de uma solução inovadora para a recuperação do ecossistema ribeirinho. Para além disso, tem objectivos específicos tais como acelerar a recuperação da população de lampreias-do-mar através da translocação anual de 500 a 1.000 lampreias adultas para locais seleccionados a montante; Identificação de pontos críticos larvares para protecção de habitats e avaliação de medidas de conservação – os chamados “santuários”; Envolvimento e sensibilização das partes interessadas em locais de conservação; Elaboração de Orientações para a Gestão Sustentável, com políticas e legislação adaptáveis a outras bacias hidrográficas nacionais e internacionais.