Sancho Antunes, candidato da ADN (Alternativa Democrática Nacional) à Câmara de Coimbra, refere que se assiste a “um episódio da estratégia clara e calculada de enfraquecimento dos Transportes Urbanos” com a entrada em funcionamento de cinco quilómetros do MetroBus.
“O discurso oficial tenta passar a ideia de inovação e progresso, mas a verdade é outra: o que está em causa é um processo de dumping de passageiros, retirando utilizadores dos Serviços Municipalizados de Transportes Urbanos de Coimbra (SMTUC) para os empurrar para uma estrutura paralela”, considera.
Para o candidato da ADN, que é motorista dos SMTUC, “esta manobra não é inocente” e “é parte de uma agenda política de esvaziamento e de desmantelamento gradual dos SMTUC, como objectivo de abrir caminho à sua extinção, substituindo-os por empresas municipais ou outras entidades controladas directamente pelo Executivo”.
“Enquanto accionista e autoridade de transportes, a Câmara Municipal tem a obrigação legal e moral de proteger e reforçar os SMTUC, mas, em vez disso, promove a sua fragilização, comprometendo não só os postos de trabalho de centenas de trabalhadores, mas também a qualidade do serviço prestado à população”, considera.
Para Sancho Antunes, “é inaceitável que, em nome de interesses políticos ou financeiros, se sacrifique um património público que tem sido fundamental para a coesão social e para a mobilidade de milhares de cidadãos”. “Este projecto de MetroBus não vem resolver os problemas de transporte de Coimbra. Pelo contrário, cria uma duplicação de estruturas, aumenta custos, divide passageiros e coloca em risco a sustentabilidade dos SMTUC” – acrescenta.
“São os SMTUC que detêm o know-how, a experiência e a capacidade técnica acumulada ao longo de décadas. São os SMTUC que conhecem a realidade da cidade, os percursos, os utentes e as necessidades concretas da população. Excluir os SMTUC desta responsabilidade não é apenas um erro técnico, é um atentado contra o interesse público”, entende o candidato da ADN.
“Não estou a olhar a interesses eleitorais nem a ganhos imediatos. Estou a olhar para Coimbra, para os trabalhadores dos SMTUC e, sobretudo, para os milhares de pessoas que todos os dias dependem deste serviço. O caminho certo não é destruir ou enfraquecer os SMTUC. O caminho certo é reforçar, modernizar e investir neles, para que possam continuar a servir Coimbra com qualidade, proximidade e responsabilidade pública. Coimbra precisa de soluções que sirvam a cidade e os cidadãos. E os SMTUC são parte essencial dessa solução”, conclui Sancho Antunes.