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Inverno 2024/2025 foi menos mortal do que o anterior

29 de Abril 2025 Jornal Campeão: Inverno 2024/2025 foi menos mortal do que o anterior

A Direcção-Geral da Saúde (DGS) esclareceu que a “época de Inverno 2024/2025 teve um menor excesso de mortalidade do que a anterior”. O organismo explicou, ainda, que “comparações com base em valores absolutos devem ser interpretadas com exactidão”, como resposta às notícias divulgadas que davam conta de que os primeiros três meses do ano teriam sido os mais mortíferos desde a pandemia.

De acordo com a DGS, “a análise das épocas de Inverno, que decorrem, geralmente, entre a semana 40 de um ano e a semana 20 do seguinte, mostra que houve um excesso de 3.302 óbitos no Inverno 2023/2024, o que representou mais 26% face ao esperado”. Por sua vez, o Inverno de 2024/2025 registou “um excesso de 1.206 óbitos”, isto é, mais 12% do que o esperado.

“Mesmo analisando valores absolutos, considerando o período das semanas 40 de um ano e das semanas 5 do ano seguinte, e tendo decorrido o período epidémico de gripe nesta época, verifica-se uma redução no número de óbitos nos grupos mais idosos”, sublinha.

Na faixa etária dos 75 aos 84 anos, o último Inverno registou 11.141 mortes, ao passo que, no anterior, se verificaram 12.718. No que diz respeito a pessoas com 85 ou mais anos, ocorreram 19.439 óbitos em 2024/2025, enquanto que em 2023/2024 morreram 21.045 cidadãos.

“A comparação de valores absolutos de mortalidade entre períodos fixos como trimestres ou meses não permite, por si só, retirar conclusões sobre aumentos ou reduções da mortalidade”, alerta. O organismo acrescenta ainda que “a análise rigorosa da mortalidade deve ser realizada através da análise do excesso de mortalidade, isto é, a diferença entre o número de mortes observadas e o número esperado, com base numa linha de base ajustada a partir dos valores dos anos anteriores, excluindo períodos atípicos (como surtos de doenças ou períodos de frio prolongados) e considerando a evolução demográfica do país, em particular o envelhecimento da população”.

A DGS realça, por outro lado, que “num país como Portugal, com uma população envelhecida, é expectável que o número absoluto de óbitos aumente progressivamente com o tempo”, justificando, por isso, que “comparar números brutos de mortes entre anos sem ajustar para estes factores pode levar a conclusões erradas”.

Posto isto, assegura que vai continuar a “acompanhar de perto a evolução da mortalidade em Portugal e a partilhar com transparência a informação necessária à monitorização da situação de saúde”.