O PS, com Sócrates, e depois com Costa, com a geringonça e com a maioria absoluta, foi um desastre. Acentuaram a decadência. Fomos ultrapassados pela Roménia, depois de muitos outros países do Leste. Degradaram os serviços na saúde, educação, justiça, habitação…. Criaram imoralidade na gestão pública e facciosismo, como foi evidente na perseguição á Fundação e ao Hospital Compaixão.
Era inevitável perderem o apoio dos portugueses. A esquerda teve a sua maior derrota.
Foi uma revolução no leque partidário. Direita liberal e populista 23,2%. PS e esquerda 39,8%. O PSD no centro com 29,5% ocupou o lugar que historicamente pertencia ao PS.
A democracia venceu, ganhou a alternância.
Não basta mudar de partidos ou de políticos.
O País precisa de mudanças na política com reforma do Estado. Urge descentralizar e democratizar os poderes regionais. Temos de promover a coesão territorial impedindo o despovoamento do interior. Os partidos não podem assentar em politburos que amordaçam a democracia, elegendo Deputados voz dos donos. Urge uma nova legislação eleitoral. Precisamos de políticas claras de apoio á família e á natalidade. Um Estado menos obeso será mais saudável e eficiente. É obrigatório incentivar o crescimento económico. Só produzindo mais riqueza podemos ter melhor justiça social.
O PSD/ AD não pode ser arrogante como foi o PS. Montenegro tem de ter a humildade de dialogar especialmente com os maiores partidos: PS, Chega e IL.
A ideia de ostracizar a vontade dos eleitores do Chega revela arrogância totalitária. O voto de protesto que fortaleceu o Chega é herdeiro dos eleitores da esquerda radical, como a sua votação no Sul do País mostra.
O PSD tem de, com humildade, definir políticas ambiciosas, que assentem no diálogo e nos consensos.
Tirar o Pais da decadência declivosa que enfrentamos, desde 1995, exige ambição e a coragem de dialogar com a verdade dos outros.
(*) Médico e antigo deputado e autarca do PSD