Coimbra  1 de Março de 2021 | Director: Lino Vinhal

Semanário no Papel - Diário Online

 

Lino Vinhal

Votos do Natal possível

25 de Dezembro 2020

Queremos deixar aqui os nossos votos de bom Natal para toda a comunidade, com particular dedicação à parcela que constitui a família do “Campeão das Províncias”, seja na condição de leitor, assinante, anunciante, amigo, colaborador ou qualquer outra vertente que ajude a valorizar este projecto editorial. Não será este o Natal das nossas vidas. Antes será o Natal das nossas incertezas. Que o consigamos transformar no Natal da nossa esperança em tempos melhores, nem que para isso tenhamos de verter a lágrima de despedida pelo familiar ou amigo que nem à cova pudemos acompanhar. Com esta certeza: há sempre mais mundo do que o mundo de cada um.

Já todos sabemos que este ano tem sido terrivelmente difícil. Passámos 10 meses a fugir de um inimigo feroz, letal e invisível. Instalou-se na vida colectiva um clima de receio, de dúvida e insegurança que é, em si mesmo, um desvio da normal tranquilidade do nosso viver em sociedade. O homem é gregário por natureza. Precisa de conviver, de cumprimentar, de abraçar, de ser um de muitos. Tirar-lhe isto, mandá-lo para casa a horas inabituais, afastá-lo dos amigos e impedir-lhe os pequenos convívios é contorcer-lhe a natureza, se não mesmo a sua personalidade.

Na economia estamos a atravessar um período de verdadeiro desastre cujos efeitos levarão anos a corrigir. Há sectores, a restauração e a hotelaria desde logo, que têm sido dos maiores sacrificados desta situação de crise. O abraço de solidariedade que aqui lhes deixamos, a eles e a todos os que vivem situação idêntica, além de devido é também a manifestação do nosso profundo respeito pelas preocupações que nesta altura lhes apertam o peito.

Difícil para todos, difícil foi também o ano para o “Campeão das Províncias” e toda a estrutura Media Centro – em que funcionalmente se insere. Não fora a ajuda, o abraço amigo, e a solidariedade recebidos e dificilmente teríamos passado as dificuldades destes 10 meses, pese embora a extraordinária ajuda, sempre sentida, da quase totalidade dos quadros profissionais que, sentindo e vivendo por dentro as dificuldades, cedo se aperceberam que não haveria outro caminho a trilhar que não fosse dar de si o seu melhor, em saber, em trabalho e dedicação. Não queremos fazer deles heróis de ocasião. Mas não queremos também passar por cima de gestos que, alguns deles, foram de quase heroicidade, vindos de peitos que, de tão sublimes, nos surpreenderam e muito ajudaram.

Não queremos terminar o ano – na próxima semana, do Ano Novo, não teremos edição, reservada que está a preparar os tempos que aí vêm – sem uma nota final dirigida aos sectores profissionais que a nosso ver foram – esses sim – os verdadeiros exércitos de combate e resistência. Sabíamos, sempre soubemos, que tínhamos boa Medicina em Portugal, no mundo também. Coimbra mostrou-nos isso há muitos anos pelo seu próprio exemplo. Por este lado Hipócrates, a quem eles juraram um elevado sentido moral no exercício da sua profissão, pode dormir tranquilo. Mas além dos médicos, enfermeiros, outros profissionais de saúde, deixem-nos referir aqui também esses sempre esquecidos profissionais dos lares, mais de 90.000, que foram de um trabalho e dedicação sem limites, com sacrifício da sua saúde em muitíssimos casos.

De entre os outros, muitos, que também deram de si o muito ou pouco que tinham para dar, queremos inclinar-nos, com profundo respeito, perante esses milhares de autarcas que pelo país fora foram gigantes da resistência, nas trincheiras das suas freguesias ou dos seus concelhos. Um dia – esperamos – a história fará o registo de exemplos verdadeiramente notáveis, de gestos de dimensão infinita que muitos autarcas rubricaram no silencio da sua solidão. Testemunhámos isso em vários pontos do país, com particular intensidade nas freguesias e concelhos da área de Coimbra, Aveiro e Viseu, zonas que acompanhámos mais de perto. Foram grandes, foram enormes, foram notáveis. Para com as pessoas, obviamente. Mas também para com aqueles sectores que rapidamente caíram no lago das incertezas, comunicação social incluída.

Somos um povo magnífico, quando podemos e queremos ser.

Obrigado em nome daqueles a quem a ajuda, o carinho e o apoio ajudaram a sobreviver.

Obrigado em nome de todos eles. Obrigado de nós.

“Campeão das Províncias”