Coimbra  19 de Setembro de 2019 | Director: Lino Vinhal

Semanário no Papel - Diário Online

 

Madalena Abreu

Voltar a pôr Coimbra no mapa

31 de Maio 2019

Este mês de Maio que termina foi de ‘festa rija’ na nossa cidade.

Foi a festa dos Estudantes, a festa de Coimbra. Foi a festa da Queima das Fitas, um evento muitíssimo diferenciador da marca Coimbra, um produto valiosíssimo do conjunto dos activos estratégicos da nossa cidade.

Como valor estratégico único que é, deverá ser trabalhado com crescente profissionalismo, apoiado nas competências e técnicas cada vez mais complexas que integram a chamada ‘gestão de eventos’. Mas a mestria também deve ser aplicada de forma a que se mantenha intocável a sua identidade e ‘voluntarismo’, que conferem a esta festa um cunho tão especial e único.

E quando falamos da queima enquanto ‘activo estratégico’ para a cidade, queremos olhar e pensar a cidade enquanto marca. A marca, recordemos, é vista, como a soma atributos, o nome, as associações a este nome e também o seu preço. E, com efeito, o trabalho que recai sobre as marcas tornou-se uma questão central na estratégia de desenvolvimento de uma cidade. E requer um elevado nível de investimento em marketing a longo prazo, especialmente no posicionamento pretendido, no trabalho cuidado com os públicos alvo, na promoção sustentada com impacto e cuidadosamente avaliada.

Em variadíssimos casos vemos que os decisores deste conjunto ordenado de tácticas e planos recorrem a exemplos já em plena actividade. E também no caso das marcas cidade isto pode e deve acontecer. Aliás, é muito corrente e inteligente observar, aprender e reproduzir os melhores exemplos, e reproduzir esquemas que já tenham mostrado ser vencedores. Esta é uma das regras de ouro na gestão actual, e sempre foi, embora nem sempre parece ser claro aos decisores políticos nestas matérias que dizem respeito à promoção da cidade.

Ainda sobre a questão da promoção da marca cidade

Gostaria de começar por deixar uma breve nota sobre um estudo desenvolvido no ano passado no Politécnico de Leiria, o único do seu género do país. O estudo mostrou claramente que o mais importante na impressão final é a experiência vivida na própria cidade onde se estudou.

Claro que a que qualidade do ensino da Instituição de Ensino Superior é fundamental na escolha do destino escolhido para se ir estudar fora do país de origem. No entanto, as conclusões deste estudo significam que o mais importante na impressão final é a excelência da própria cidade onde se estudou.

Assim, ficamos a saber que a estratégia para atrair estudantes internacionais deve recair especialmente sobre a cidade para onde estes estudantes vêm estudar, sendo assim fundamental desenvolver parcerias entre a câmara, as instituições de ensino superior e ainda com empresas.

Portanto, a percepção dos alunos sobre o país para onde vieram estudar, neste caso Portugal, o ambiente e a localização da Instituição de Ensino Superior e as fontes de informação (particularmente fontes online) são as variáveis que mais contribuem para explicar a satisfação dos alunos. As motivações pessoais e a percepção que tinham da Instituição de Ensino Superior não revelavam ser a razão que pode explicar a satisfação do aluno, embora esses factores sejam importantes na decisão de estudar no estrangeiro.

A lealdade e o ‘passa-palavra’ de quem estudou tem mais que ver com a satisfação que se experimentou com o ambiente da cidade.

Em conclusão, a marca cidade Coimbra tem que ser cada vez mais, e bem, trabalhada. A bem de Coimbra. Para maior bem da nossa cidade.

(*) Professora no ISCAC e vereadora do PSD na CMC

 

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