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Semanário no Papel - Diário Online

 

Luís Santos

Vamos rebentar a “bolha”

13 de Janeiro 2017

Se tudo está bem, não é preciso mudar. Se tudo está mal, custa fazê-lo e é melhor ficar quieto porque outros o farão. Este é um discurso do conformismo, do deixa andar, desfavorável à mudança.

Vem isto a propósito do discurso de despedida de Barack Obama, oito anos depois de os norte-americanos terem o primeiro Presidente negro da sua História, onde deixou uma mensagem contra o comodismo.

Chamando a atenção para os perigos de dar tudo como adquirido, Obama reforçou aquilo que sabemos, mas fazemos por esquecer: a Democracia constrói-se no dia-a-dia. As tensões raciais continuam vivas, os refugiados são muitos, os mercados financeiros comem a economia, as guerras e o terrorismo a pretexto de religiões estão aí.

Nesta mensagem final, Barack Obama insistiu na necessidade de se fazerem pontes e de as pessoas deixarem de vivem em “bolhas”. “Para muitos de nós, tornou-se mais fácil ficarmos nas nossas bolhas, tanto nos nossos bairros, nas universidades, no locais de culto ou nos ‘feeds’ das redes sociais”, disse, acrescentando, ainda, a “bolha” dos media, onde há um “canal para cada gosto”.

“Cada vez mais, sentimo-nos tão seguros nas nossas bolhas que aceitamos apenas informação, seja ela verdadeira ou não, que encaixa nas nossas opiniões, em vez de basearmos as nossas opiniões nas provas que andam por aí”, referiu, numa alusão à propagação de informações falsas. “Se estão cansados de discutir com desconhecidos na Internet, então vão falar com um na vida real”, desafiou.

Os pergaminhos exibidos por Barack Obama vão desde o reatar de relações diplomáticas com Cuba, o acordo nuclear com o Irão, a captura de Bin Laden, a aprovação do casamento entre pessoas do mesmo sexo e a criação de um sistema de saúde que levou a que cerca de 20 milhões de pessoas dos EUA deixassem de viver sem seguro.

Aqui está um estadista que começou com o slogan “Yes we can” (Sim, nós podemos) e agora terminou com um “Yes we did”, que é como quem diz “sim, nós conseguimos”. Mas deixou a porta aberta para o que aí vem…