Coimbra  24 de Setembro de 2020 | Director: Lino Vinhal

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João Pinho

Universidade de Coimbra: a fraude, o plágio e o que falta fazer…

30 de Novembro 2018

A Universidade de Coimbra anunciou, na semana transacta, o êxito no reforço ao combate à fraude e plágio, divulgando os números do sucesso: 19 estudantes sancionados por plágio e 58 punidos por fraude.

Trata-se de um problema antiquíssimo, provavelmente, desde que a universidade é universidade ou que o mundo é mundo – que passa pelo aproveitamento do mérito e trabalho alheio, conseguindo vantagens pessoais e profissionais a partir de um acto censurável e criminoso.

Copiei uma vez na vida, no secundário e no âmbito de exame a matemática, e a experiência correu-me tão mal que nunca mais voltei a essa espécie de droga, que a muitos viciou, inclusive a colegas que depois chegaram a professores, logrando certo reconhecimento social – fazendo questionar a velha crença herdada do mundo antigo de que o mérito vem do trabalho próprio e não de colheitas em searas alheias.

Em tempos de acentuada alteração dos ecossistemas tradicionais de comunicação, informação e avaliação, com os efeitos negativos trazidos pela revolução digital, há que prestar redobrada atenção a estas antigas dinâmicas perversas da personalidade. Por isso é de aplaudir, em especial, a entrada em funcionamento em 2017/2018 de um software de detecção das infracções que remete para a aplicação do Regulamento Disciplinar dos Estudantes da UC.

Oxalá este caminho, de não facilitismo, contagie o novo reitor, a sua equipa e comunidade universitária e seja continuado, em prol de quem trabalha e se esforça a título individual e de acordo com a legislação em vigor. De vigaristas e corruptos andamos todos fartos!

Acrescento, também, que para além do plágio e fraude, existe um problema a montante que urge combater de todas formas possíveis. Na verdade, diz-se por aí, de forma mais ou menos velada, que certas pessoas, devido aos seus afazeres ou preguiça físico-mental, encomendam trabalhos universitários pagos a terceiros.

É, no mínimo, uma situação desonesta, que à semelhança da fraude e plágio sempre ouvi murmurar nos corredores universitários e tertulianos. A que junto outra, quiçá inesperada e surpreendente: quando nos anos 90 me candidatei ao curso de História na Universidade de Coimbra era voz corrente que o acesso se poderia pagar, havendo pessoas com ligações à comunidade universitária que tratavam de tudo contra a entrega de certa e determinada quantia. Nunca apurei a veracidade desta informação que, nos dias que correm e no mundo cada vez mais digital e virtual, se apresenta com renovadas preocupações.

(*) Historiador e investigador