Coimbra  19 de Agosto de 2019 | Director: Lino Vinhal

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João Pinho

Um brasileiro em Coimbra

15 de Junho 2018
17 - João Pinho Um brasileiro em Coimbra

Rafael Margatho, brasileiro, biomédico, preparando-se para provar uma pérola dos pratos nacionais – leitão assado

 

Rafael Margatho é um jovem brasileiro, biomédico de profissão, nascido em Ribeirão Preto no ano de 1985. Com ascendência portuguesa (bisneto de portugueses) veio este ano pela primeira vez ao nosso país e por Coimbra se ficou entre Abril e Junho em casa de familiares.

Dois motivos o trouxeram até nós: tratar da questão da nacionalidade e conhecer o país. Se no primeiro caso terá de aguardar pela arbitrariedade dos decisores da questão da dupla-nacionalidade – incrivelmente facilitada para uns e negada estupidamente para outros – no segundo não teve de esperar e fez-se ele próprio ao caminho: conheceu Coimbra, Porto, Matosinhos, Lisboa, Lousã, Penacova, Condeixa, Figueira da Foz, Nazaré entre outros lugares.

Por motivos profissionais, primeiro, e pessoais, mais adiante, pude acompanhar alguns dos seus trajectos de que guardo com especial relevância o dia em que fomos à terra dos seus antepassados na freguesia de Febres, município de Cantanhede, com passagem pela Sanguinheira e Balsas. Um momento intenso e particularmente feliz em que se multiplicaram as perguntas entre as quais a mais delicada de todas: porque emigraram os meus antepassados? Objectivamente nunca saberemos, subjectivamente um mundo de hipóteses se nos coloca.

Rafael, que veio da Irlanda, gostaria de fazer trajecto profissional entre nós, mais não seja para aprofundar o conhecimento da cultura portuguesa. Não obstante a sua participação em alguns eventos culturais para os quais o desviei; centenário da ACM-Coimbra ou jornadas de valorização do património em Arzila – momentos que lhe despertaram natural curiosidade e interesse.

No almoço de despedida assinalou aquilo que mais o havia surpreendido em Portugal e nos portugueses: a gastronomia, a culinária e as paisagens naturais. Assim, sei que leva no coração e no paladar os doces feitos com ovos, os enchidos e os assados, mas também as belas paisagens que sinalizou a partir dos castelos da região.

Centrando-nos em Coimbra, elogiou a estrutura da saúde que conheceu com algum pormenor e o seu vasto património. Mas estranhou que não tivesse o impacto junto de turistas como verificou no Porto e Lisboa, apesar de entender que a cidade tem um grande potencial. A maior falha, diga-se, encontrou-a ao nível dos transportes públicos: «fica algo confuso orientar-se», dizia-me.

Ao contrário do que se possa imaginar aprendi algo mais com o Rafael acerca da minha cidade, região e país. A principal é que não existe uma estrutura regional/local que dê resposta efectiva, ou pretenda dar, a quem nos visita na multiplicidade dos objectivos traçados, questões colocadas e esclarecimentos que procuram. E estou em crer que tal acontece, parcialmente, pelo simples facto de os agentes turísticos não se colocarem na pele de visitante/turista.

Obrigado Rafael por visitares e dares valor ao que é genuinamente nosso. Um abraço luso-brasileiro. E até sempre!

(*) Historiador e investigador

 

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