Coimbra  17 de Agosto de 2019 | Director: Lino Vinhal

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Mário Carvalho

UF de S. Clara e C. Viegas: Acordar no desacordo

6 de Maio 2019

Junta Freguesia Santa Clara

Notícias recentes do “Campeão” deram conta que, por falta de acordo entre os principais partidos, tem sido prática o «chumbo» das contas dos exercícios dos anos anteriores (2017 e 2018) da UF de Santa Clara e Castelo Viegas.

Ora, existia um acordo que levou a integrar no órgão executivo desta autarquia dois elementos do PS, a par de três do PSD (força vencedora nas últimas eleições), para facilitar a governabilidade.

Perante o actual cenário que se vive com sucessivas notícias de desencontros e trocas de acusações entre os elementos constituintes desta espécie de “geringonça” (relembramos, nome pejorativamente utilizado pelas forças de Direita relativamente à governação nacional, parece-nos ser este mais um “casamento” que chegou ao fim.

Há a recordar que, recentemente, o presidente da Junta da UF de Santa Clara e Castelo Viegas (Coimbra), a tesoureira e uma vogal foram acusados, pelo Ministério Público (MP), de abuso de poder, sendo que, “ independentemente de se tratar de um crime residual, o Departamento de Investigação e Acção Penal (DIAP) de Coimbra preconiza que os três autarcas sejam punidos com perda dos respectivos mandatos”.

Assim sendo, com mais este «chumbo» de contas, o que por si só denota falta de confiança política de, pelo menos, uma parte, também é fácil entender que pelas constantes acusações do lado da outra, a situação parece ter atingido um ponto fulcral de permanência ou não no acordo.

Naquilo a que nos parece entrar já no campo da falta de transparência, atendendo a que  também está envolvido o próprio Ministério Público, e pese embora haja a presunção de inocência até prova de contrário, achamos, pois, que começa a não fazer sentido continuar a assistir a esta permanente troca de “mimos” entre as partes.

Se somarmos a isso as constantes acusações por parte do actual presidente da União de Freguesias, eleito pelo PSD, feitas contra o executivo socialista ao nível camarário, com constantes queixas de não ser bem tratado por este órgão, parece, então, que a situação está no limite da continuidade.

Não exercendo nós qualquer cargo autárquico relativamente à questão aqui presente ou de coordenação política local nesta UF, achamos, contudo, dentro da liberdade que nos assiste a opinar perante os sucessivos episódios que têm vindo a público, que, em nosso entender, quer para os santaclarenses, quer para os conimbricenses em geral, não acrescentam nada, mas antes retiram credibilidade ao exercício da actividade autárquica.

Pela sua importância e História, Santa Clara merece mais!

(*) Militante do PS

 

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