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João Pinho

Tradições de passagem de ano

30 de Dezembro 2016

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Em Portugal, a noite de passagem de ano faz-se de tradições e superstições, sendo por vezes incerta a fronteira que as delimita. Algumas têm origens seculares, outras são menos consensuais não se sabendo ao certo como surgiram, mas todas visam trazer boa sorte para o novo ano que se inicia.

Falemos das tradições. A celebração começa com um jantar em família, onde não pode faltar a típica gastronomia e doçaria. Comer as 12 passas é a superstição de passagem de ano mais conhecida; por cada uma das 12 badaladas do ano deve-se comer uma passa e pedir um desejo que se queira ver realizado no novo ano.

A tradição de tocar em dinheiro vem do séc. XIX e remonta ao dia do cuco, que simbolizava o começo da Primavera. Algumas pessoas colocam uma nota no sapato do pé direito e fazem a primeira compra do ano com ela, segundo a crença oriental de que a energia entra no corpo através dos pés, atraindo mais riqueza.

Por outro lado, convém brindar sempre com álcool e nunca com água, seguindo a ideia antiga de que o vinho traz vitalidade e saúde. Para renovar as forças guarda-se a rolha de champagne que foi aberta, a qual se deitará fora no ano seguinte.

Saltar de uma cadeira com dinheiro na mão, fazer barulho com as tampas das panelas, ou ainda dar um mergulho gelado no mar, são alguns dos rituais adoptados um pouco por todo o país.

Abordemos algumas superstições. Uma das mais antigas e enraizadas, com provável origem na época pré-romana é a de fazer barulho para espantar os maus espíritos e os velhos fantasmas que assombraram o ano anterior: gritar assobiar, bater nas panelas, lançar foguetes.

A cor da roupa, especialmente, a da roupa interior, é alvo de especial atenção na passagem de ano, escolhendo-se as cores de acordo com aquilo que mais se deseja para o ciclo que se avizinha. O azul é sinómimo de boa sorte, o vermelho de sucesso amoroso, o amarelo prosperidade económica, o branco da paz, o verde saúde e, o castanho, melhora a carreira profissional.

A roupa nova atrai o amor e a sorte, pelo que não deve ser apertada e ter buracos ou rasgões: assim não terá dificuldades ou apertos económicos
Antes da celebração é usual fazer-se a cama com lençóis novos para dar sorte no amor no ano que se aproxima.

Aconselha-se, também, a passar o réveillon com dinheiro nos bolsos, porque se estiverem vazios esse estado pode prolongar-se durante todo o novo ano.
Subir a uma cadeira ou degrau à meia-noite, assente no pé direito, é sinal de prosperidade. Há quem o faça com uma nota na mão, para atrair mais dinheiro no novo ano, e há quem dê três pulinhos com a taça de ‘champagne’ na mão sem o derramar e depois atire o líquido para trás sem olhar, como quem deixa para trás tudo o que de mau se passou.

Do ponto de vista alimentar é curiosa a superstição de não ingerir carne de aves na última refeição do ano, para evitar que a felicidade voe para longe. Pelo contrário, o chocolate é muito recomendado, já que atrai riquezas.

A finalizar, registe-se a superstição de não se discutir no primeiro dia do ano. Se o fizer, acredita-se que nos restantes 364 dias do ano se vai repetir a mesma dose: discussões e mais barafundas.

Tenha, pois, um Bom Ano de 2017 com tradições e superstições!

(*) Historiador e investigador