Coimbra  26 de Junho de 2019 | Director: Lino Vinhal

Semanário no Papel - Diário Online

 

João Pinho

Toponímia de Coimbra: Montarroio e Montes Claros

24 de Maio 2019

10 - Op João Pinho Montarroio

 

Em Coimbra, a colina que se desenha desde as cercas dos antigos colégios da rua da Sofia, seguindo pela encosta da Conchada até ao início da rua de António José de Almeida, foi conhecida durante muito tempo por Montarroio. Hoje apenas a rua de Montarroio, que principia na rua de Pedro Rocha e termina na rua de Dr. António de Vasconcelos, guarda essa memória. O topónimo assumiu na época medieval as formas de munte-rubio e monte rúbeo.

A origem provável do nome resultará da cor avermelhada típica das argilas terciárias que cobrem o monte, em contraste com o calcário branco das pedreiras de Montes Claros. Estas argilas de tons amarelo-avermelhados «…terão motivado o qualificativo rubio». Diga-se, a propósito, que das pedreiras de Montarroio e do Bordalo saiu muita da pedra que se empregou no revestimento dos pavimentos da cidade. De acordo com os estudiosos não é também de afastar a possibilidade de a forma actual de Montarroio ter sofrido alguma contaminação de arroio. Montarroio, Monterroio e Monte Arroio surgem também nos documentos como variantes de apelidos portugueses, alguns muito antigos.

O mais antigo documento que refere Montarroio, ou melhor montem rubium data de 16 de Janeiro de 1088. Trata-se de uma Carta de Doação, de uma vinha com árvores que Gonçalo Recemondes e sua mulher, Maria Eanes, fizeram à Sé. Esta área da encosta de Montarroio, definida pelo triângulo formado pela rua de Montarroio, travessa de Montarroio e pátio da Inquisição seria, provavelmente, já habitada no séc. XII. Supõe-se, ainda, ter estado erguida em Montarroio, então fora de portas, a Igreja de S. Vicente, atestada documentalmente no séc. X (ano 972).

A área de Montes Claros vem citada em documentação da época medieval. A 26 de Outubro de 1110, Joao Gosendes e sua mulher Ximena Forjaz doam, à Sé de Coimbra, as propriedades outrora pertencentes a sua tia Sesília e a seu filho Mendo, as quais se situavam nos concelhos da Mealhada, Albergaria-a-Velha e Coimbra. Neste último caso, possuíam propriedades em Montes Claros e Coselhas.

Na política de aquisição de bens fundiários, a que o Mosteiro de Santa Cruz se lançou, nos anos seguintes à sua fundação, Montarroio foi área destacada. A primeira aquisição do mosteiro nesta zona foi uma vinha que o presbítero Mendo Ruivo doou aos cónegos, em Dezembro de 1139, ao professar no convento. Mais tarde, em Fevereiro de 1140, foi a vez do judeu Zacarias ceder aos cónegos uma vinha que possuía em Montarroio, por troca com outra que Santa Cruz detinha em Coselhas.

(*) Historiador e investigador

 

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