Coimbra  22 de Setembro de 2021 | Director: Lino Vinhal

Semanário no Papel - Diário Online

 

António Campos

Temos tudo só falta a mentalidade

2 de Julho 2021

Elisa Ferreira, comissária para a coesão e reformas afirma que é penoso após tantos anos de ajuda do fundo de coesão da União, Portugal continue um País atrasado.

Como a acompanho. Hoje temos tudo só nos falta a mentalidade.

É mais fácil viver á custa dos outros do que ter a ambição política de um projecto de desenvolvimento sustentável baseado nos recursos naturais, na revolução tecnológica e no conhecimento.

Fico fulo quando leio que uma portuguesa foi escolhida pelo Presidente da maior potência do mundo para a comissão de desenvolvimento da inteligência artificial do seu País.

Como a Elisa Ferreira tem razão após tantos anos de biliões e biliões de euros de ajuda em nos recusarmos a acertar o relógio mental ambicioso com o mundo desenvolvido.

Nunca a discrepância de desenvolvimento territorial foi tão acentuada e a discussão política de casos tão viva para sonegar a discussão das grandes causas actuais que preocupam quem pensa.

As leis da mãe natureza

Toda a Europa tem tido um mês de Junho de enxurradas e granizadas ,bem como parte da Ásia enquanto Estados Unidos e América Latina tem secas e vagas de calor.

As alterações climáticas são já hoje a maior pandemia económica da humanidade.

Esta semana não tiro os olhos do céu e da consulta do Instituto Português do Mar e da Atmosfera.

Os meus pomares estão em permanente ameaça das leis soberanas da mãe natureza.

Milhares e milhares de pequenos agricultores da zona de minifúndio do Centro e Norte cuja sobrevivência económica depende exclusivamente da agricultura foram vítimas das alterações climáticas.

Está a ser discutida a Política Agrícola Comum perante a maior ameaça de sempre da capacidade do sector agrícola ser capaz de responder á crescente procura.

Soja, milho, arroz etc já estão a atingir preços à pouco tempo impensáveis. Muitos destes milhares de pequenos agricultores vão desistir por inviabilidade económica de continuarem.

A PAC devia acabar com todos os subsídios e só ajudar o investimento no sector e financiar no mínimo 80 por cento os seguros agrícolas .

Eu tenho todos os pomares no seguro,mas milhares e milhares de pequenos agricultores não suportam o seu elevado custo.