Coimbra  13 de Maio de 2021 | Director: Lino Vinhal

Semanário no Papel - Diário Online

 

Sónia Pereira

Tanta gente pela verdade que afinal é negacionista

28 de Novembro 2020

Intitulam-se como médicos e jornalistas pela verdade. Mas quem está à frente dos grupos não é nem jornalista nem especialista em saúde pública.

Talvez tenham escolhido estas duas profissões para dar nome aos seus grupos pelo facto de serem duas áreas com impacto na sociedade. E conseguiram…pelo menos muita tem sido a tinta que fazem correr.

São negacionistas e julgam-se os detentores da verdade. Surgiram quando medidas mais restritivas foram aparecendo para controlar a propagação da covid-19, rejeitando a utilização de máscara, o distanciamento social ou qualquer outra norma que, segundo eles, agride a sua liberdade.

A mim parece-me triste quando se enche o peito e se grita a plenos pulmões que esta doença é apenas uma forma que o Governo arranjou de plantar a miséria pelo país, quando se criticam todas as medidas que, podendo não ser as melhores, são as possíveis e as que, quem também nunca passou por nada parecido, consegue arranjar de momento.

Esses, os profissionais pela verdade, chamam todos os outros de carneirada, dizendo que estão a seguir, cegamente, as regras apenas por medo.

É certo que a cultura do medo começou a surgir, é certo que, por vezes, é preciso assustar um pouco para que as normas sejam cumpridas. Mas então, e criar um grupo onde tentam “angariar” pessoas transmitindo informação sem qualquer fundamentação, onde se limitam a dizer aquilo que muitos dos que sofreram com o confinamento querem ouvir, não é ainda mais perigoso?

A desinformação é grave. Mas mais grave ainda é a informação falsa. Não serão, também vocês, os que se assumem pela verdade, um bando obediente a quem vos passa a informação?

E não venham cá com os exemplos da Suécia. Porque até lá, esse país que todo o negacionista considera o paraíso, já se começam a implementar algumas regras, como a proibição da venda de álcool após as 22h30, de forma a evitar aglomerados nos bares. “Ahh e tal mas resolveram a situação e começaram a organizar as ‘Festas do Chá’ e não obrigam ninguém a fechar a porta”. Ora, pois, está claro, que eu até já estou a imaginar os grupos de estudantes, ali pela Praça da República, em grandes festas para beberem…chá!