Coimbra  17 de Maio de 2021 | Director: Lino Vinhal

Semanário no Papel - Diário Online

 

João Pinho

Ser candidato

1 de Abril 2021

Com a aproximação do acto eleitoral que se segue no calendário da democracia, que será o de natureza autárquica, vão-se multiplicando os candidatos a liderar os destinos das comunidades locais. Autarquias que não se circunscrevem, como muitas pessoas julgam, a municípios/concelhos, uma vez que aquela noção, definida na Constituição, abrange também, as freguesias – a circunscrição base da nossa administração civil.

As freguesias desempenham um papel importantíssimo para as populações que muitas vezes, ao longo da História, tem sido desvalorizado: a face visível do Estado, o elo entre as pessoas e os governantes, a ponte para alavancar aspirações, representações e reivindicações.

O seu papel foi reconhecido durante o Liberalismo, embora circunscrito à noção paroquial. Com a implantação da República ocorreu a decisiva transformação das Paróquias em Freguesias Civis, com ampliação e reforço de poderes e competências, que o Estado Novo procurou controlar e a Revolução de Abril deu novo ânimo e expressão.

Os modos de eleição variaram, por isso, ao longo dos tempos, mas só depois de 1974, com a criação dos órgãos autárquicos (Juntas e Assembleias), foi possível consolidar a livre eleição, embora tenham prevalecido até à actualidade, certos comportamentos de liderança pouco condignos com o espírito democrático, ao mesmo tempo que o exercício deste tipo de poder se tornou apetecível pela remuneração, espaço mediático, rede de interesses e clientelas – factos indesmentíveis, de que a imprensa tem feito, felizmente bastante eco.

Eu, que durante anos venho estudando de forma científica, a génese, consolidação e afirmação das freguesias, estava longe de imaginar que um dia poderia ser candidato a uma freguesia, no caso, união de freguesias. Não fujo, contudo, às duas circunstâncias fundamentais que ditaram a delicada opção: as pessoas, as ideias e as ações vertidas num projecto bem recebido pela estrutura partidária, a ser aplicado num território onde tenho profundas raízes familiares; a vontade pessoal assente num colectivo, onde possa desempenhar um factor de mudança positiva rumo ao progresso e desenvolvimento desejável.

No meu caso, em síntese, decidi ser candidato pelo amor que tenho à minha Terra e às minhas Gentes. Gostaria, talvez, utopicamente, que este modelo fosse a motivação de milhares de homens e mulheres candidatos a autarcas por esse país fora.

A vida são experiências. E só se vive uma vez! De preferência, com respeito e elevação, regando as árvores da esperança ao som de poesias intemporais.

(*) Historiador e investigador