Coimbra  17 de Outubro de 2019 | Director: Lino Vinhal

Semanário no Papel - Diário Online

 

António Barreiros

Sentir Portugal e os portugueses

11 de Junho 2019

Portugal bandeira

 

O discurso de João Miguel Tavares, neste 10 de Junho, prendeu-me, como cidadão, porque foi forte no conteúdo, razoável na forma, mensageiro para os políticos, irreverente na mostra de um país que está descrente, arejado de ideias, apelativo na forma e trás vontade de nos revolucionarmos para sonharmos com um Portugal futurista para os mais jovens, um país de caminhos.

Infelizmente já lhe caíram rótulos, do que o pior e mais nojento é que insuflou salazarismo. É preciso não ter ouvido ou de ter percebido tudo ao contrário. Ou, e diria, confundir realismo com salazarismo… É uma tentação saloia. É uma motivação dos que comem na mesa do orçamento.

A política falha quando conduz o país à bancarrota” – argumentou.

Registo esta frontalidade, porque a política e os políticos, para mim e para uma grande parte dos portugueses, tem falhado várias vezes.

O interventor nas Comemorações do 10 de Junho, em Portalegre, filho da terra, e do Alentejo profundo, opinou que a data deveria ser de patriotismo, enjeitando o nacionalismo.

Penso que o terá dito para separar águas, por causa dos populismos.

Traçou um panorama de um Portugal que tem vindo, em contraciclo com o destino das nossas caravelas de antanho, a não se fazer a um programado e sustentado futuro, para que os portugueses possam acreditar, principalmente as novas gerações. A linguagem dos nossos políticos, da esquerda à direita, apesar de ter rejeitado esta divisão para ressaltar que o que interessa é a nação e os seus filhos, é baratucha, deslocada do tempo, propagandística, estereotipada, desfasada das novas tecnologias e longe da 4.ª Revolução Industrial que atravessamos.

Um apelo que caiu bem, porque precisamos, nós os portugueses, de esperança:

“Aquilo que se pede aos políticos, sejam eles de esquerda ou de direita, é que nos dêem alguma coisa em que acreditar.”

O bafio dos nossos políticos, que não se rejuvenescem e que não têm sabido reencontrar o arejamento necessário de que o nosso sistema está ávido – político, constitucional, judicial, laboral, social, de representatividade político-partidária, empresarial, cívico, de ensino e de cidadania – espelhou-se nas últimas eleições: apenas uns 25 por cento deixaram o seu voto devidamente assinalado, porque quase uns 70 por cento se abstiveram e 6,9 por cento anularam o boletim ou depositaram-no em branco.

Este discurso de João Miguel Tavares é um aviso à navegação dos políticos, dos partidos e dos que detêm os outros poderes, onde se inclui o judicial.

Ele foi o porta-voz, o que e da minha parte lhe agradeço, dos tais 76 por cento dos meus compatriotas que se estão nas tintas para os que, e também, se empoleiram nos gabinetes dos poderes, de Lisboa, a olhar para o Tejo, para o umbigo, para os amigos e companheiros, virando as costas ao país real e a uma parte significativa dos portugueses que fazem cumprir Portugal, por essa Província fora…

 

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