Coimbra  17 de Outubro de 2019 | Director: Lino Vinhal

Semanário no Papel - Diário Online

 

João Pinho

Sementes de Cultura: Uma galeria para a história

26 de Setembro 2019

Galeria Viritato Namora

Na inauguração usou da palavra a filha mais velha de Viriato Namora, Filomena Namora

Existem em Coimbra muitas galerias. Umas mais conhecidas do que outras. A galeria de que vos quero falar encerra muitos aspectos históricos. Foi, durante anos, simplesmente, a galeria de exposições temporárias da Casa Museu Bissaya-Barreto, acolhendo dezenas de instalações e colecções, divulgando artistas e suas obras, cumprindo uma relevante função cultural, intimamente, ligada ao pensamento do seu patrono – que além de médico e cirurgião, e dinamizador de uma Obra Social ímpar foi, também, um mecenas, incentivando e patrocinando artistas e literatos.

Numa decisão de profundo significado, a Fundação Bissaya-Barreto deu um passo de gigante no sentido de preservar a história, memória e identidade daqueles que tudo deram de si em prol de uma causa, atribuindo ao espaço cultural o nome de Viriato Namora (1927-2017), ex-vogal do Conselho Fiscal da fundação, antigo colaborador destacado da Obra Social e figura muito próxima de Bissaya-Barreto, que no princípio da sua vida profissional nele confiou para administrar o Convento de Lorvão – tornando-o um baluarte na luta pela dignificação da assistência psiquiátrica da região.

Coube, naturalmente, a Patrícia Viegas Nascimento, presidente do Conselho de Administração da FBB, fazer o elogio do Homem e da Obra do homenageado – gestor, autarca, empresário, dilecto conselheiro e honorário amigo – enquanto, em nome da família, usou da palavra Filomena Namora, para agradecer orgulhosa e emocionada a distinção póstuma conferida a seu pai.

Em paralelo com o rebaptismo do espaço, a fundação inaugurou uma exposição, evocativa dos seus 60 anos de existência (1958-2018), muito trabalhada e detalhada, com recurso a novas tecnologias – que merece ser visitada por públicos de todas as idades dado o seu carácter intemporal e intergeracional. Quis, assim, adornar o momento, com evidente sucesso, que foi testemunhado por cerca de 100 pessoas, entre familiares de Namora, convidados, funcionários e ex-colaboradores da instituição.

São momentos como este que fortalecem as instituições e que honram os seus pergaminhos. Respeitar o passado para compreender o presente e preparar o futuro – haverá melhor fio de Ariadne?

Para Viriato Namora, amigo de raras qualidades, teria sido, em vida, um momento único e inesquecível. Na impossibilidade física, a inauguração da galeria que doravante perpetuará o seu nome, constituiu, também, o seu regresso espiritual e simbólico às Causas da Fundação a que tanto se devotou. Na verdade, como alguém que lhe era muito próximo escreveu nestes dias de grande emoção: Namora está onde sempre esteve…

(*) Historiador e investigador

 

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