Coimbra  26 de Maio de 2019 | Director: Lino Vinhal

Semanário no Papel - Diário Online

 

João Pinho

Sementes de cultura: Os sinos falantes de Coimbra e arredores

17 de Maio 2019

Sinos

 

Nas obras de Teófilo Braga e Falcão Machado encontramos o curioso registo dos toques dos sinos de Coimbra e arredores, interpretados como intenção simbólica duma expressão verbal, carregada de bom humor:

Assim, os sinos de Santa Cruz, quando tocavam, diziam na voz do povo:
«Somos fidalgos
Temos dinheiro
Pão e queijo
P´ra dar ao sineiro»

«Minha mãe tem pão
Bacalhau, feijão.
O frade está à porta
C´o chapéu na mão»

Por outro lado, os sinos da povoação das Torres do Mondego ripostavam:

«Tem lêndeas! Tem lêndeas!

Ao que respondia o da povoação vizinha:
«Mata-as com um pau! Mata-as com um pau!»

Também se sabia que os sinos das austeras carmelitas do Convento de S. Teresa, no seu badalar, clamavam:

«Penitência! Penitência!

Ao que respondiam as descontraídas e eufóricas freiras de Sant´Ana, através dos seus sinos:
«Tanta não! Tanta não!»

Intervinham, então, as freiras de Santa Clara, com o meio-termo da virtude:

«Nem tanto, nem tão pouco!
Nem tanto, nem tão pouco!»

(*) Historiador e investigador