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João Pinho

Sementes de Cultura: O Arco-íris e as Bailoiçantes

12 de Dezembro 2019

Arco-iris

Pedras baloiçantes

O arco-íris é um fenómeno atmosférico que outrora também se designou como arco da velha e arco da aliança – expressão originada pela circunstância de Deus ter dito na Lei Velha que poria no céu este sinal para expressar a sua aliança com a Humanidade (vide livro do Genesis).

Crê o povo que no local onde as extremidades do arco-íris tocam o solo se acham enterradas panelas com ouro. Em algumas regiões, como a Beira Alta ou o Minho, diz-se que mergulha nos rios para beber a água que depois cai sob a forma de chuva.

A circunstância de o arco-íris ser prenúncio de chuva originou fórmulas, por vezes esconjuratórias, como sejam:

1. Arco da velha / Fitinha amarela / Menina bonita / Não cases com ela.

2. Arco-íris / Tira-te daqui / Meninas bonitas / Não gostam de ti.

Se um arco-íris anuncia chuva, dois correspondem a chuvada a dobrar, circunstância que suscitou, em Vila Franca de Xira, o seguinte dito:

Dois arcos no céu / Carrega o chapéu / Arco ao poente / E arco ao nascente / Faz o céu contente.

Uma das locuções mais conhecidas no todo nacional é, também, a seguinte:

Arco-íris contra a serra, chuva na terra / Arco-íris contra o mar, tira os bois e põe-te a lavrar.

Curiosidades: As Baloiçantes

Baloiçante é uma designação aplicada a certos penedos ou monólitos em equilíbrio instável, que oscilam mediante qualquer ligeiro impulso que se lhes dê em determinado ponto.

Consoante o ponto do país em que estejamos encontramos outras designações equivalentes, tais como: abolida, berço, bulideira, embanador, falperra, pedra da paciência, penedo da mó, perramedo ou sino dos mouros…

Para alguns estudiosos estas pedras serão o resultado de cipos de cemitérios pré-históricos, enquanto que para outros correspondem a monumentos megalíticos, possivelmente de carácter funerário, mágico ou simbólico, intencionalmente preparadas para oscilar – sendo unânime a conclusão de não resultarem de caprichos da natureza.

Alguns destes monumentos possuem insculturas e há memória de se ter recorrido a elas como prova judiciária, designadamente ordália e oráculo.

A grande maioria das baloiçantes localiza-se na metade Norte do país; Braga, Mogadouro, Macedo de Cavaleiros, Moncorvo, Bragança, Soutelo, Penafiel, Amarante, Chaves e Viseu.

Na nossa região encontramos este tipo de pedras no Município de Tábua (Carragosela, Espariz; e na Póvoa de Midões) ou em Gouveia (Argomil e Vila Nova de Tazém).

(*) Historiador e investigador

 

 

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