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João Pinho

Sementes de Cultura: O ano velho e a entrada no novo ano

30 de Dezembro 2019

Fim de ano passas

Um dos costumes mais difundidos aquando da despedida do ano velho passa por expulsá-lo, simbolicamente, com algazarra e ruído.

Trata-se de uma reminiscência da tradição que consistia em bater com um pau (ou mangual) no chão de cultivo, na noite de ano bom e nas seguintes, com a intenção de afugentar os espíritos malignos prejudiciais à renovação do solo e à germinação das sementes.

Por vezes oferecia-se mel (hoje bombons e chocolates) para que o ano prossiga com doçura o caminho iniciado. Para atrair a felicidade todo o ano, ao dar a meia-noite do dia 31 de Dezembro, comem-se 12 bagos de uva (ou passas), um a cada badalada e pedem-se três coisas em que se tenha empenho – outrora concluía-se este rito rezando um Padre Nosso.

No primeiro de Janeiro a igreja celebra a “circuncisão de Jesus”, festividade integrada no denominado ciclo dos doze dias, que medeiam entre o Natal e os Reis.

Diz o povo que o que se faz no primeiro dia do ano faz-se todo o ano. Assim, a entrada no novo ano festeja-se ruidosamente (para enxotar ou expulsar o Inverno), alegremente (para que o ano comece bem e acabe bem), ostentando fartura e oferecendo-se presentes, na convicção de que desse modo propiciará a fertilidade e riqueza.

(*) Historiador e investigador

 

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