Coimbra  21 de Outubro de 2019 | Director: Lino Vinhal

Semanário no Papel - Diário Online

 

João Pinho

Sementes de cultura: Nos 200 anos do jornal “O Campeão Portuguez”

28 de Junho 2019

22 - João Pinho N.º 1 Campeão Portuguez, Julho, 1819

O Campeão Portuguez foi fundado e redigido por José Liberato Freire de Carvalho e editado entre 1 de Julho de 1819 e Junho de 1821, em Londres. Integrou os chamados “jornais da emigração”, juntamente com O Portuguez, O Correio Braziliense, O Investigador Portuguez em Inglaterra e O Microscópio das Verdades, entre outros.
Esta imprensa liberal tinha uma forte influência, nem sempre convergente, dos negociantes portugueses e da maçonaria, bem como uma grande oposição dos governantes (no Rio de Janeiro e em Lisboa).

O prejuízo dos negociantes portugueses, por um lado e a falta de liberdade política, as perseguições aos cidadãos e o desgoverno da regência inglesa de Beresford, por outro, deram grande espaço para o crescimento do descontentamento popular e a actuação da Maçonaria Portuguesa, recém ferida pela condenação medonha e verdadeiro assassinato de Gomes Freire de Andrade, seu Grão-Mestre em 1817.

Logo no n.º 1, José Liberato define o formato e os objectivos do jornal: quinzenal e com três secções – política, correspondência e resumo das novidades do tempo.
Compara Portugal a um órfão governado por tutores, assume-se como amigo do rei e do povo, proclama a divisa de cumprimento do dever quaisquer que sejam as consequências. Abre as suas páginas a todas as opiniões, não permitindo o insulto e guardando o sigilo do autor, quando julgado necessário:

O Campeão não excitará revoluções ou anarquia … mas mostrará os perigos de um governo arbitrário ou oposto às luzes do século em que vive.

O seu último número, quando foi proibido pela Corte portuguesa, vendeu-se em triplo.

Lembrando a Revolução Liberal de 1820, importa assinalar os 200 anos da fundação daquele jornal que foi uma das principais vozes da liberdade – oposição à humilhação e denúncia das atrocidades a que Portugal estava sujeito bem como a apresentação de propostas políticas e medidas concretas para a devolução da dignidade ao povo português, então sob regência inglesa.

(*) Pela Comissão Liberato

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