Coimbra  23 de Maio de 2019 | Director: Lino Vinhal

Semanário no Papel - Diário Online

 

João Pinho

Sementes de cultura: A desaparecida torre de Santa Cruz

2 de Maio 2019

12 - Demolição-da-Torre-de-Sta-Cruz

 

Na tarde do dia 03 de Janeiro de 1935, por volta das 17h20 minutos, a cidade testemunhou um dos maiores violentos crimes cometidos sobre o seu património: a derrocada da torre de Santa Cruz, reedificada no séc. XVI, no âmbito das reformas promovidas pelos cónegos regrantes de Santa Cruz, sobre um conjunto de construções acasteladas que remontavam ao séc. XIII.

Culminava da pior forma anos de avisos sobre o estado de ruína, que ameaçava a integridade física de quem passava na rua de Olímpio Nicolau Fernandes e edifícios contíguos – factos acompanhados e documentados pelos principais jornais, diários e semanários, existentes na cidade.

As autoridades, à semelhança do que ainda hoje se vê por aí, preferiram não recuperar o património, com o conluio do Município e dos organismos estatais. Pelo contrário, definiram o timing para a sua derrocada, isolando a zona e injectando água nos alicerces, pondo fim aquela ameaça. E assim Coimbra perderia a única torre que então se erguia na cidade, exemplo mal estudado de arquitectura remota.

Hoje, quem passa pelo espaço ocupado pela antiga torre, em especial as novas gerações, desconhece, por falta de informação no local e fora dele, que a bela escadaria mandada construir pelo presidente Mendes Silva no mandato de 1983-1985, integrando a setecentista Fonte dos Judeus, fora outrora o local de uma torre ímpar que os nossos antepassados não souberam estimar, cuidar e trazer até aos nossos dias.

(*) Historiador e investigador