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João Pinho

Sementes de Cultura: A árvore do Natal

19 de Dezembro 2019

Árvore de Natal

A origem da árvore de Natal não é consensual entre os estudiosos: para alguns é originária de Riga, na Letónia, onde surgiu em 1510; para outros a tradição começou em 1530, na Alemanha, com Martinho Lutero.

Conta-se que certa noite, enquanto caminhava pela floresta, Lutero ficou impressionado com a beleza dos pinheiros cobertos de neve, cenário que procurou reproduzir em sua casa com galhos de árvore, algodão, velas e outros enfeites.

O etnógrafo Leite de Vasconcelos afirma que a árvore de Natal terá sido introduzida em Portugal no último quartel do séc. XIX, enquanto que para Gustavo Barroso será uma sobrevivência pagã da árvore de Maio – designação do mastro erguido por ocasião das Maias no primeiro dia de Maio.

No quatrocentista «Regimento dos Sacristãos-Mores da Ordem de Cister de Alcobaça» encontramos, provavelmente, a mais antiga referência à árvore de Natal em Portugal:

«Nota de como has de poer o ramo de natal. Em véspera de Natal buscarás huu grande Ramo de loureiro verde, e colherás muitas laranjas vermelhas e poer-lhas has metidas pelos ramos que dele procedem especificadamente segundo já viste.

E em cada huua laranja, poeras hua candea. E pendurarás o dicto ramo per hua corda na polee que ha de star acerca da lâmpada do altar moor».

No nordeste transmontano havia o costume de enfeitar, no interior das igrejas, a árvore de Natal com frutos, peças de caça, fumeiro, entre outros – para depois ser arrematada em leilão.

O dia de montar a árvore Natal – e decorações natalinas – varia de país para país. Em Portugal, segundo a tradição, a árvore prepara-se no dia 8 de Dezembro, dedicado à Imaculada Conceição, devendo desfazer-se no dia 6 de Janeiro, Dia de Reis.

(*) Historiador e investigador

 

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