Coimbra  28 de Julho de 2021 | Director: Lino Vinhal

Semanário no Papel - Diário Online

 

Madalena Abreu

São só as eleições…

16 de Julho 2021

São ‘só’ as eleições. Não é nada de estranhar. Fica tranquila. Volto a repetir: são apenas as eleições!

Mas, sim, eu estranho. E sim, não fico nada tranquila. Fico até bastante irritada!

Mas o que se passa?

No domingo 4 de Julho o Município entregou Medalhas de ouro a 5 entidades, a saber: IPO, Diário de Coimbra, APPACDM, Bluepharma e Feedzai. E não foi isto uma ação mais que justa e merecida? Claro que foi. Claro que estas 5 organizações estão de parabéns e toda a cidade ovaciona de pé e com redobrado agradecimento pelos feitos de cada uma. Até aqui nada há a questionar. Mas porque não foram estas medalhas atribuídas em anos anteriores? Por exemplo, a APPACDM celebrou os seus 50 anos em 2019. Não teria sido a oportunidade óbvia para a atribuição da medalha do Município a esta instituição? E foi o que os vereadores do PSD propuseram à Câmara, mais concretamente na reunião do Executivo a 29 de Janeiro de 2019. Portanto, só foi necessário esperar 2 anos e meio para esta medalha chegar às mãos certas.

Já no caso da medalha atribuída ao Diário de Coimbra podemos recordar que este órgão de comunicação social celebrou os seus 90 anos no ano passado. Nesse ano, encetou novos formatos de assinatura do jornal, pedindo uma atenção particular no contexto da sua situação económica neste difícil tempo de pandemia: a medalha também teria sido muito bem-vinda nessa altura.

Outra estranheza nestes tempos pré-eleitorais passa pela distribuição de benesses gratuitas e acessos às festas… Este ano a Câmara transformou-se em verdadeiro mecenas da cultura: compra os bilhetes para 12 espectáculos de fado (aprovado na reunião do Executivo camarário a 28 de Junho) e oferece os bilhetes para as Festas da Cidade. Quanto ao fado, recorde-se os muitos lamentos que se vai ouvindo pela falta de apoio desta Câmara precisamente ao fado e à canção de Coimbra.

São flores, meu senhor

E foi certamente no apanágio destes tempo messiânicos sobre as artes e cultura que contemplamos a iluminação multicolorida e cintilante a ser derramada sobre várias ruas e praças da Baixa de Coimbra. Na minha modesta opinião, o resultado desta ‘intervenção’ é de gosto duvidoso situando-se entre o presépio da Coca-cola e a feira popular à beira-mar.

E falando em feiras e decorações, é importante atentar nos recém-plantados canteiros por vários pontos de cidade: são flores, meu senhor. Acontece que nos últimos quase 4 anos, os vários partidos e movimentos de cidadãos foram reclamando sem resposta por parte da Câmara neste domínio. Denunciavam as falhas na arborização da cidade, com várias árvores removidas nos passeios públicos, os atropelos à vegetação ripícola junto às margens do Mondego, ou a inexistência da limpeza dos canteiros nos locais reconhecidos como Património Mundial da Humanidade pela UNESCO.

Já a segurança da cidade teve finalmente uma atenção particular e desejada! Chegaram agora 17 câmaras para vigiar o Centro Histórico… Mais uma vez, é mesmo só agora! Apesar dos repetidos apelos por moradores ou comerciantes da Baixa nos últimos anos.

E por falar em ruas iluminadas, recorde-se as questões da habitação. Neste momento poder-se-á falar em estranheza e irritação: é que ter uma casa condigna para habitar é um direito até para as coisas! Sabemos que as rendas acessíveis são quase uma miragem e os preços são exorbitantes mesmo para adquirir um palheiro. Há cerca de um mês, a Câmara parece ter despertado para o programa nacional 1.º. Direito, o qual pretende apoiar pessoas que vivem em condições habitacionais indignas e não têm os meios financeiros para o acesso a uma habitação adequada. Finalmente! Precisamente há um ano atrás, o PSD já perguntava na reunião da Câmara “Quantas famílias foram apoiadas a partir do programa 1.º Direito?”

Mas fiquemos por aqui, a irritação ainda vai “no adro”, mas vão sendo horas de preparar o almoço.

E seria até indigesto tocar em temas como a execução orçamental no ano de eleições e a razão para haver tanto dinheiro disponível?

Fica a pergunta…. Será que a cidade de Coimbra é como os anos bissextos? A sua importância existe somente quatro em quatro anos, precisamente nos anos de eleições?

Sim, são ‘só’ as eleições.

(*) Vereadora do PSD na Câmara Municipal de Coimbra