Coimbra  20 de Outubro de 2019 | Director: Lino Vinhal

Semanário no Papel - Diário Online

 

Mário Carvalho

“Ruminações” Académicas!

20 de Setembro 2019

Porta Férrea UC

Por estes dias tem sido notícia a Universidade de Coimbra porque o seu Reitor resolveu “dar uma mãozinha” ao Ambiente ao proibir o consumo de carne de vaca nos refeitórios das cantinas daquela instituição.

Há alguns anos também estes animais fizeram capas de Jornais pela célebre frase do então Presidente da república ao conseguir discernir sorrisos por entre uma manada destes pacatos animais.

“Ontem eu reparava no sorriso das vacas, estavam satisfeitíssimas olhando para o pasto que começava a ficar verdejante” (Cavaco Silva, 2011).

Por entre tantas “ruminações”, no sentido lato do termo, obviamente que a opinião pública logo aproveitou a deixa para inundar as redes sociais com os mais variados comentários. Uns a favor, outros contra, tendo por base as mais variegadas justificações.

Sabemos hoje, e a ciência já o “disse”, que não só as vacas não riem, como também o problema do Aquecimento Global passa por inúmeros vectores que não apenas a produção animal e seus derivados para consumo humano. Se bem que a mesma Ciência também comprove que esta tenha impactos com significado na libertação de gases, e não só, com implicações graves na nossa atmosfera.

Convém saber que, e segundo algumas fontes, o sector da criação de gado é responsável por cerca de 18 por cento das emissões, número acima do dos transportes, responsável por “apenas” 13,5 por cento.

Obviamente que outras fontes existem, como, por exemplo, o próprio degelo que veio permitir a libertação de grande quantidade de gases retidos em lagos e lagoas congelados e que agora devido ao aumento da temperatura global vieram permitir que os mesmos sejam libertados para a atmosfera. Entre tantas outras que podíamos aqui esmiuçar.

Assim, procurando o outro sentido ao termo em título, apraz-nos dizer que, por um lado, não é descabido aderir de forma simbólica à redução do consumo de carne de vaca pelas implicações que tem aos mais diversos níveis, e que vai desde o seu processo de produção aos efeitos que provoca quando consumida em excesso, e, por outro lado, pode também ser descabido tomar uma posição tão radical nesta questão atendendo a que seria também sensato em termos ambientais fechar todo o perímetro da Universidade ao trânsito automóvel, permitindo apenas o acesso a transportes públicos, reduzindo assim a emissão de gases por esta via e ao mesmo tempo exercer pedagogia ambiental sobre as futuras elites que ali se alimentam de Saber.

E porque não elaborar um modelo diferente no que à organização de eventos académicos diz respeito, como, por exemplo, o Cortejo da Queima das Fitas e da Latada, onde de forma desmesurada e incivilizada são produzidas enormes quantidades de lixo? Isto para não falar da “pegada ecológica” deixada por toda a cidade quando os “meninos” se resolvem “aliviar” pelas ruas ou portas e janelas da loja mais próxima.

Em suma, a partir da “ventosidade” ou “flatulência intelectual” que existe dentro de cada um de nós, não vale a pena sermos fundamentalistas e querer levar o Reitor ao Pátio da Inquisição. Afinal há algum sentido em tudo isto.

E já agora! Não se esqueçam de não deitar as beatas para o chão!

 

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