Coimbra  18 de Junho de 2019 | Director: Lino Vinhal

Semanário no Papel - Diário Online

 

José Belo

Rui Rio ganhou, dois anos passam a correr

18 de Janeiro 2018

O PSD precisa de Rui Rio de mangas arregaçadas.

1 – Em texto publicado, aqui, no “Campeão”, durante a disputa eleitoral entre Pedro Santana Lopes e Rui Rio, deixei claro que cada um deles iria colher de mim aquilo que semeou ao longo da sua vida política. Nem mais, nem menos…, como diria Miguel Torga.

E nele, pela análise ao perfil dos dois candidatos, referi, entre outras considerações, que era “tempo de agir” sem os romantismos de Santana, mas com a determinação de Rui Rio de saber honrar compromissos e fazer o que promete, recuperando-se, assim, o orgulho de pertença dos valores da social-democracia.

Rui Rio ganhou. Está-se, por isso, a virar uma página da vida do PSD, que pode e deve ir à esquerda e à direita da social-democracia e, sobretudo, ao absentismo, agarrar todos os que não se revêem na «geringonça» e no que ela exprime.

Passos Coelho não soube perceber o novo ciclo económico e as suas potencialidades socio-políticas. Foi esse o grande erro de alguém que deixou uma pegada patriótica e de Estado, num tempo de pré- bancarrota. Ora, o resultado destas eleições mostrou bem que não há mais passismo sem Passos Coelho, não sendo possível continuá-lo com Santana Lopes.

Rui Rio ganhou. Conseguiu fazer despertar o PSD profundo, anónimo e distante dos holofotes; um PSD determinado em querer ser alternativa ao PS e aos seus apoiantes da extrema-Esquerda. Rui Rio ganhou e essa vitória tornou claro que “não irá ser preciso votar em [António] Costa”, porque nada vai ser igual daqui para a frente, dentro e fora do Partido Social-Democrata.

Quem apoiou Rui Rio acredita que a sua peculiar forma de fazer política, ao longo da vida, vai ser capaz de “unir o partido e ganhar Portugal”, abanando o abstencionismo e o crescendo dos movimentos de passividade e desesperança, evitando que mais e mais queiram estar longe da política, deixando perigosamente coxa a nossa democracia pelo desinteresse, pela anomia, pelo desencanto e, sobretudo, pelo desemprego persistente de muitos milhares de portugueses de todas as idades.

2 – Os militantes sempre escolhem bem e todos temos de respeitar os resultados das eleições. Os partidos, todos os partidos, e o PSD não foge à regra, têm princípios e valores próprios, que definem a sua identidade e o seu ideário e que são as referências fundamentais, que dão coesão a todos os que neles militam, levando-os a aceitar as regras do jogo e as decisões da maioria, sem prejuízo da sua liberdade individual ou até de «tendência». E ninguém esquece que só é presidente quem for a jogo e, nele, seja o mais votado.

Porém, manda o bom senso que não é aconselhável fazer política com ressentimentos, antes pelo contrário, deve-se regar os espaços de convergência, para inspirar dinâmicas abrangentes, unindo o partido, dando sinais ao país e ao PSD que a estabilidade é um valor essencial, onde podem caber todos os que com seriedade e lealdade estejam dispostos a saber servir um projecto para Portugal. O PSD tem essa responsabilidade de saber priorizar as necessidades do país por cima de qualquer outra preocupação menor.

Estou seguro que Rui Rio saberá ter o sentido de medida e a maturidade ideológica, organizacional e política necessárias para fazer as reflexões que se impõem e tomar as melhores decisões a pensar em Portugal. E seja qual for a natureza e o alcance da «racionalização» interna, a levar eventualmente a cabo, todos os social-democratas têm de estar juntos por Portugal, porque tenho a certeza que só o PSD é que poderá tirar a «geringonça» do poder através do voto livre dos portugueses e essa será a prioridade das prioridades.

3 – Há, contudo, muita coisa a fazer para chegar junto do eleitorado, que já votou PSD. E isso tem de ser feito através de propostas de fôlego, que digam claramente haver alternativas capazes de mobilizarem os portugueses. Mas a procissão só agora está a sair do adro. Contudo, ninguém deve duvidar que Rui Rio, com barões ou sem barões, já mostrou ter a determinação e as «ganas» dos que acreditam e lutam pelo seu projecto alternativo para Portugal, onde deve haver objectivos bem claros: a educação, a saúde a justiça, a magna questão do emprego, do crescimento, do mar, do território, do clima e da demografia.

Até 2019, muita água vai correr sob as pontes. Três actos eleitorais nos esperam: regionais, europeias e legislativas. E apenas 21 meses até às próximas eleições legislativas. As duas últimas votações para escolha da composição da Assembleia da República foram ganhas pelo PSD. Não é impossível ganhar outra vez. O PSD, para isso, precisa de um Rui Rio de mangas arregaçadas a dizer aos portugueses que há uma nova agenda política, alternativa, que afastará os interesses estabelecidos, que tanto sugam o país, capaz de defender os valores da social-democracia, que põem sempre à frente da política as pessoas, de carne e osso, sejam do interior ou do Terreiro do Paço e suas vizinhanças.

O PSD vai precisar de Rui Rio mobilizador, com um programa credível, entusiasmante, que saiba ganhar Portugal, sem delongas, porque dois anos passam a correr.

Vamos a isso.

(*) Ex-vereador da CMC

 

 

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