Coimbra  7 de Julho de 2020 | Director: Lino Vinhal

Semanário no Papel - Diário Online

 

António Vilhena

Residência da Alegria: a outra “faculdade”

20 de Janeiro 2017

A Casa da Alegria, ou a Casa Amarela como era conhecida, foi o meu primeiro tecto em Coimbra, quando cheguei, em 1984.

Com umas vistas privilegiadas sobre o rio Mondego, oferecia-me um horizonte mágico, próprio dos cenários que os escritores do século XIX descreviam. Foi aí que tive o meu primeiro banho de Portugal, tantos eram os colegas chegados de todos os cantos deste país.

Foi a grande “Faculdade” da tolerância, de aprendizagens e de respeito pelas diferenças. Cultivámos sempre a solidariedade, aprendemos a crescer num universo culturalmente rico e onde os valores e a partilha criaram laços fortes.

A Casa da Alegria foi sempre uma referência em Coimbra, a sua voz era respeitada, sendo frequente o Magnífico Reitor Professor Rui Alarcão (1982 – 98) dar-nos a honra da sua presença em muitos eventos. É justo lembrar, também, um homem muito especial, António Lúzio Vaz, então vice-presidente dos Serviços Sociais da Universidade de Coimbra, que sempre apoiou e cultivou as boas tradições dessa residência universitária. Por ocasião do Natal, o presidente da Câmara Municipal de Coimbra, Manuel Machado, associava-se à efeméride.

Foram imensos os nomes que passaram pela Casa da Alegria. Permitam-me destacar o actual director da Polícia Judiciária, José Almeida Rodrigues.

A Universidade de Coimbra, ao adquirir o imóvel, está, também, a salvaguardar o património imaterial e simbólico de todos quantos ali encontraram o ambiente que fez bons cidadãos. Parabéns à UC!

(*) Escritor