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José Belo

Refeições escolares: E as crianças, senhores?

5 de Dezembro 2016

Há escassos dias, despontou, de novo, em Coimbra, a questão das refeições escolares, constituindo matéria de opinião e, outra vez, infelizmente, por maus motivos.

Neste ano lectivo, com apenas três meses decorridos, já várias vezes houve primeiras páginas nos jornais locais, regionais e nacionais, com a televisão a não querer ficar de fora, dando triste eco de uma situação que teima em persistir.

Aliás, basta andar nas ruas, ouvir os pais e encarregados de educação, ponderar os seus comentários, captar os seus desabafos, perceber a sua indignação, para sentir a força das suas preocupações e, por isso, não admira que o assunto já tenha chegado à Assembleia da República.

Um conhecido e respeitado presidente de uma Associação de Pais achou, até, que as coisas já passaram dos limites e veio a público dizer o que lhe vai na alma.

Disse, preto no branco, que já participou em algumas reuniões com a CMC e uma empresa que fornece a alimentação, para tentar solucionar este problema gravíssimo da qualidade das refeições nas escolas de Coimbra.

Diz o referido presidente que, do seu ponto de vista, a empresa em causa não está minimamente preocupada com o serviço que presta e a CMC mostra-se inoperante, até “de mãos atadas”, para resolver o problema, esta grande dor de cabeça que os pais e os encarregados de educação têm.

Ele não percebe, os pais não percebem, os encarregados de educação também não percebem.

Por isso, a palavra preocupante não chega para classificar o que está a acontecer com as refeições escolares.

Mas as críticas não se ficam por aqui.

Também se pôde ler (nos jornais), mediante declarações do aludido dirigente, que o desempenho de uma associação da cidade, contratada pela referida empresa para acompanhar e reforçar a vigilância dos espaços escolares, padece de falta de pessoal, peca na sua alternância e evidencia falta de formação dos seus elementos.

Uma desgraça nunca vem só, e os pais já ameaçam, alto e bom som, arranjar alternativas com mais garantia de qualidade.

Aliás, há escolas que, nestes três meses, têm tido dezenas de incidências graves (a Escola de S. Martinho do Bispo já detectou 31) – falta de comida ou comida servida e imprópria para consumo humano, pode-se ler na comunicação social.

Acrescentam, ainda, muitos pais e encarregados de educação que a grande preocupação é verem “a ineficácia das partes que contrataram este serviço de resolverem os problemas de uma vez por todas”.

Diziam-me outros pais que a contabilização da realização de x ou y reuniões, com A, B ou C, não acrescenta nada. É que, acentuam, os alunos não comem números. O que eles querem é muito simples: comida a horas, com as temperaturas certas, com a qualidade e quantidade adequadas.

Apenas isto!

Alguns pais falaram-me da perturbação que existiu no tempo do vereador João Orvalho. Que, por causa de uma situação muito menos grave, teve a clarividência e o sentido de medida que achou mais adequados ao contexto.

Não vou insinuar o que quer que seja. Não andamos a brincar à política, quando o que está em causa são crianças. Nem iremos fazer queixas à DGAL, não é com isso que a comida chega a tempo e horas.

Pede-se é uma coisa e uma coisa só: Resolvam isto! E o mais rapidamente possível, pois isto já passou dos limites. E as crianças merecem melhor, muito melhor, do que tem acontecido ultimamente!

(Vereador do PSD na CMC)