Coimbra  4 de Dezembro de 2020 | Director: Lino Vinhal

Semanário no Papel - Diário Online

 

Hernâni Caniço

Quem nada faz, racha lenha

10 de Setembro 2020

A crítica é um acto de apreciar ou até julgar o que se expõe, que define uma opinião válida quando construtiva, que contribui para a clarificação de uma ideia que leva a outra ideia, quiçá mais útil.

Em política, a seriedade do escrutínio público, o rigor da descrição dos factos e o impacto muito mediatizado da expressão de ideias, devem dominar a crítica, não a conduzindo para um dizer fátuo, para a fraldesquice do escárnio, para a procura de demagogia sem fundamento e voto fácil.

O despudor, a verborreia, a vã glória de mandar, atiçam o PSD para denegrir a autarquia socialista de Coimbra, que governa a cidade com apoio pontual da CDU, acusando-a de fazer “obras de papel”.

Parece desconhecer ou quer ignorar esta força política, que os actos de decidir pela res pública, a realização de grandes obras que mudam a cidade e a pedagogia de cumprir leis no estado democrático, não se fazem com pozinhos de perlimpimpim.

Fazem-se com muito trabalho, nos termos do Código de Contratos Públicos (30 dias após a consignação com a instalação de estaleiros e equipamentos), com prazos que devem ser respeitados, com controlo sobre as regras de execução, com intercorrências como o status empresarial por vezes debilitado, com dedicação dos autarcas e técnicos do Município.

Informar a população quanto aos passos que definem e desenvolvem cada obra a realizar, faz parte do respeito que o poder autárquico deve aos cidadãos, que não são meros figurantes de opereta ou eleitores manipuláveis, e que percebem a diferença entre executar e propagandear.

Utilizar a expressão “pandemia de obras” pelo PSD para o desempenho da autarquia é zombar com quem serve os conimbricenses com pundonor, enxovalhar quem quer obra com qualidade para fruição dos cidadãos, ofender as pessoas que sofrem ou estão atemorizadas com a doença em tempos de risco sanitário grave que atinge o mundo global, é contradizer-se sem nexo.

Quando a antiga governação socialista de Coimbra avançou com o Parque Verde, dizer mal foi apanágio e agora, aqui del Rei, que as Docas ainda não estão a funcionar em pleno após a calamidade natural (pois, são precisas obras já concluídas e processos de contratação, que chatice!…). A ponte Europa, outra criação dessa governação socialista, teve o nome mudado pelo PSD, tipo birra de criança, frustração de não autoria ou afirmação de autoridade bacoca.

O desassoreamento, já com esta governação socialista, como prevenção a futuras intempéries e seu grau de gravidade, foi feito, mas quer-se ignorado como se não existisse e fosse relevante.

O Sistema de Mobilidade do Mondego aí está em marcha, contra os ventos e marés, dignificando Coimbra e garantindo a circulação de pessoas no espaço urbano e nos concelhos limítrofes de Lousã e Miranda do Corvo, em comodidade, modernidade e acesso a serviços essenciais.

E a Via Central, a requalificação do Parque Manuel Braga, a estabilização das margens direita e esquerda do Mondego entre a Ponte de Santa Clara e a Ponte Açude, o novo complexo intermodal de Coimbra, o Centro Olímpico de Ginástica e o acesso norte a Coimbra facilitado na Casa do Sal, entre outras obras, aí estarão, cumprida a legalidade, controlada a execução, estipulada a fruição.

Não são “obras de fachada” (PSD dixit), são obras que dão qualidade de vida à população de Coimbra, que a creditam interna e externamente, que estimulam a fixação de habitação e tecido empresarial, para que todos possam ter acesso (e não só as elites politiqueiras e privilegiados) a um bem-estar que promove a evolução da sociedade, das pessoas e das famílias.

Diga-se o que se disser, goste-se do que se gostar, com a autarquia socialista de Coimbra, não há negociatas de algibeira, desistências por cansaço de servir os cidadãos ou fugas para a frente em paraísos dourados com cobertura e envolvimento majestático desmascarado.

Diz o ditado popular, “quem está de fora, racha lenha”, dirigido àqueles que apenas gesticulam e proclamam com trompa e circunstância, sem conteúdo. Se quisermos actualizar a vox populi, diremos “quem nada faz, racha lenha”, ou então “quem está de fora, não sabe o que diz”!

(*) Médico e Deputado (PS) da Assembleia Municipal de Coimbra