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Semanário no Papel - Diário Online

 

Rui Avelar

“Queda” ministerial… para a asneira

26 de Novembro 2018

Foi preciso rumar ao México para a ministra com a tutela das empresas de comunicação social pertencentes ao Estado – rádio, televisão e agência noticiosa – deixar despontar inclinação… para a asneira.

“Uma coisa óptima de estar em Guadalajara” é que não leu jornais portugueses durante “quatro dias”, desabafou Graça Fonseca.

A ministra da Cultura apressou-se, depois, a declarar ao Diário de Notícias que “não estava, obviamente, a criticar a comunicação social, mas a responder a uma pergunta sobre touradas”. Isto é: a governante quer significar que fez uso de um recurso – a ironia – para contornar a tal pergunta, mas a ministra devia saber que, em horas de aperto, o tom jocoso dos políticos tende, quase invariavelmente, para a asneira.

Presente na Feira do Livro de Guadalajara, cujo país convidado é Portugal, Graça Fonseca fez apelo ao sentido de humor quando jornalistas a questionaram sobre uma proposta de dois deputados do PS no sentido de a lide de toiros ser feita sem sangue (com um velcro nos animais para os proteger).

A notícia da iniciativa dos deputados foi dada pelo semanário Expresso, sendo que uma jornalista se propôs disponibilizar à ministra a manchete da mais recente edição do Jornal.

Era tão fácil a governante dizer aos jornalistas que não se pronunciava sobre o assunto estando no estrangeiro…

Aposto que, daqui em diante, em horas de aperto, Graça Fonseca vai pensar duas vezes antes de responder com ironia. Eis aquilo que o bom senso recomenda, por maioria de razão, quando se é ministra com a tutela das empresas de comunicação social pertencentes ao Estado.