Coimbra  17 de Agosto de 2019 | Director: Lino Vinhal

Semanário no Papel - Diário Online

 

Luís Santos

Quando uma Caixa atinge um Banco

18 de Julho 2019

Dinheiro

O relatório da II Comissão Parlamentar de Inquérito à Recapitalização da Caixa Geral de Depósitos (CGD) e à Gestão, acaba por atingir, também, a actuação da supervisão, o Banco de Portugal (BdP).

O documento da autoria do deputado relator João Almeida (CDS-PP) considera que a confiança pública é um valor essencial para a estabilidade financeira e que essa “depende do conhecimento e reconhecimento da atuação da supervisão do sistema”. “Algo que o Banco de Portugal deveria promover em vez de esconder”, acrescenta.

O relatório preliminar aponta oito falhas ao Banco de Portugal no caso CGD, sendo a última a de que “o BdP persiste em utilizar a sua independência como justificação para evitar qualquer escrutínio público”.

Entre as outras falhas apontadas ao supervisor estão a de “olhar para a supervisão do sistema financeiro de forma burocrática”, sem se aperceber do risco sistémico de algumas operações, de saber como eram postas, ter seguido a visão mais restritiva da letra da lei e sem perceber que os supervisionados contornavam o espírito das orientações.

O relatório recorda, também, temas trazidos para a comissão de inquérito, ainda que não relacionados apenas com a CGD, como a “facilidade com que alguém do BdP sai para uma instituição financeira e, depois, volta para o supervisor”.

Este vai-vem até podia ser uma mais-valia, pelo conhecimento que passa a ter, mas pelo que consta, não é posto em prática. Parece mais um funcionamento em circuito fechado.

 

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