Coimbra  26 de Junho de 2019 | Director: Lino Vinhal

Semanário no Papel - Diário Online

 

José Belo

PSD face a um grosseiro disparate

14 de Janeiro 2019

Pelos corredores desse grande partido da democracia portuguesa, como é o PSD, a politiquice de alguns parece, cada vez mais, tomar nos dentes o freio não obedecendo à realidade, ao bom senso e ao sentido de oportunidade. Através de grosseiro disparate.

Exagero, decerto, para alguns, que, na lógica do seu raciocínio, pensam estar no caminho certo dos seus interesses e também dos do próprio partido, dizem.

Ora, se estava na calha acertar, desde já, o ritmo de uma oposição que querem mais enérgica, dado o calendário eleitoral, bastaria ir a jogo e pôr a careca à mostra das eventuais fragilidades de percurso de Rui Rio (RR).

E fazê-lo nos espaços próprios do PSD sem pôr em causa a coesão e a dinâmica, que se espera do maior partido com assento na Assembleia da República, de quem os eleitores reclamam que se reinvente e invente para os portugueses um ambicioso projecto que lhes assegure a melhoria sustentada da sua qualidade de vida.

Mas, reconheça-se: era uma tentação para muitos!

As eleições [europeias e legislativas] estão à porta e a ansiedade turva a lucidez política dos que possuem ambições em sucessivos actos eleitorais, que espreitam, receando um imaginário “cordão sanitário” nas nomeações dos candidatos à Europa e à Assembleia da República.

Sou o primeiro a reconhecer que há situações e áreas da governação da «geringonça» que convinha encarar e combater com mais energia e criatividade. Mas RR ganhou eleições e está à frente do PSD há escassos meses!

Aquando da análise dos primeiros 100 dias do seu mandato, apesar de ser apoiante de Rui Rio desde a primeira hora, e se calhar por isso, pus alguns pontos nos iii em artigo de opinião aqui publicado.

Ora, o oportunismo de Luís Montenegro (LM) de vir agora interpelar RR reside em sentir que o líder partidário ainda não pôs o “comboio” na máxima velocidade e vai de lançar o desafio de umas directas para tentar ser ele o novo “maquinista” , podendo preencher os lugares das carruagens com os rostos que quiser.

Empurrado, precipitou-se.

Com 45 anos, LM tem todo o tempo pela frente para poder fazer um grande projecto político e avançar num «timing» menos deslocado. Mas não.

Cedeu à pressão da ansiedade de muitos «compagnons de route» e deixou-se empurrar fora de tudo o que seria razoável esperar de quem foi um brilhante líder parlamentar.

Tudo isto quando o “comboio” do poder socialista começa a mostrar que o rei vai nu.

Portugal começa a reparar, tantas são as evidências, que existe um verdadeiro logro na governação.

As ficções começam a aparecer todos os dias: são as novas estações de Metro, os comboios regionais, os bilhetes à borla nos transportes públicos em Lisboa e Porto, um novo aeroporto sem pareceres, que até são vinculativos, a abolição das propinas no ensino superior e a cereja no topo do bolo que é a anunciada descida da gasolina, para, logo a seguir, aumentar a taxa de carbono e anular esse badalada redução de preço. Tudo para as calendas …

Há, portanto, um verdadeiro delírio, que só pode ter justificação em concretas preocupações eleitorais.

O povo, que nunca foi distraído, sente que as coisas não estão a ir bem.

Os serviços públicos perdem capacidade de resposta: a saúde, a educação, a justiça e por aí adiante, lembram, todos os dias, que não corre o leite e mel com que a brilhante propaganda acena.

Pois bem, é neste quadro, a mudar a imagem da governação, que LM resolveu abanar as coisas, esquecendo que o PSD está a consolidar um projecto eleitoral através do Conselho Estratégico Nacional, onde há gente de referência a pensar e bem em soluções para as pessoas, todas as pessoas, que melhorem a sua qualidade de vida. Trata-se de ignorar um PSD que precisa de união para projectar uma revigorada sociedade mais igualitária, mais justa, mais transparente, mais europeísta, mais moderna, pautada, sobretudo, por critérios de bem-estar social.

Os dados estão lançados e RR não se escondeu atrás do biombo. Perante o desafio, já pediu a convocação de um Conselho Nacional do PSD para que nele seja votada uma moção de confiança à sua direcção política, indo a jogo e deixando aberta a possibilidade democrática de vir a ser retirada a confiança à Comissão Política, podendo, até, cair, por arrastamento, com ela.

Mais elevação democrática não pode haver…

Vamos esperar para ver os desenvolvimentos, mas quem se deve estar a rir deve ser António Costa,

que parece ter sempre os astros do seu lado. Até quando?

Face a tudo o que está a acontecer só apetece repetir: um grosseiro disparate.

(*) Ex-vereador do PSD na CMC

 

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