Coimbra  17 de Novembro de 2019 | Director: Lino Vinhal

Semanário no Papel - Diário Online

 

Paula Pêgo

Proposta de sustentabilidade alimentar

14 de Maio 2019

(*) Vereadora do PSD (independente) na CMC

A sustentabilidade alimentar é, hoje em dia, uma das grandes preocupações dos actores políticos e demais agentes da sociedade ao nível mundial.
Ao nível local, também os autarcas devem implementar políticas e programas que visem a sustentabilidade alimentar, pois uma das conclusões de um estudo elaborado sobre a pegada ecológica dos municípios portugueses refere que o consumo de produtos alimentares é responsável pela maior componente de tal pegada, cerca de 30 por cento em média.
Segundo os investigadores, pretende-se com este alerta (…) gerar um forte envolvimento da sociedade civil e potenciar a promoção de novas práticas que reduzam o desperdício alimentar, promovam uma alteração de dieta e fortaleçam o consumo de produtos locais e biológicos, por forma a reduzir os impactos ambientais e reforçar os serviços prestados pelos ecossistemas ao nível municipal.
O Poder Local desempenha, pois, um papel fundamental na formação dos munícipes, mais propriamente das crianças e jovens em idade escolar.
A intervenção no meio escolar é o ambiente privilegiado para a promoção da alimentação saudável, por forma a combater a obesidade infantil e a promover a adopção de estilos de vida saudáveis e sustentáveis.
Neste enquadramento, propomos que a definição e implementação de um programa de sustentabilidade alimentar deve ser transversal às diferentes fases do processo alimentar, devendo assentar em quatro vertentes, a saber: produção, aquisição, confecção e consumo.
Na vertente da produção, o Município deve apostar no contacto directo com o processo de cultivo dos bens alimentares, promovendo a criação de hortas comunitárias que visem contribuir para a sustentabilidade ambiental, facilitar o acesso à terra por parte de potenciais agricultores, combater a pobreza, bem como promover a criação de hortas pedagógicas nas escolas, proporcionando aos alunos um contacto directo com os produtos hortícolas.
Na vertente da aquisição de produtos alimentares devem ser promovida as compras públicas aos produtores locais, por forma a contribuir para a redução da pegada ecológica inerente ao transporte dos produtos e para a sustentabilidade de pequenas empresas.
Na vertente da confecção das refeições escolares, deve ser constituída uma rede de instituições particulares de solidariedade social (IPSS´s) que garantam, em conjunto com o Município, o fornecimento das refeições escolares certificadas e com elevado padrão de qualidade, rentabilizando os recursos logísticos e humanos já existentes nestas instituições e reduzindo significativamente a pegada ecológica.
Na vertente da educação para a alimentação devem ser criados programas conducentes à aquisição de bons hábitos alimentares associados à saúde, nomeadamente no que concerne ao combate à obesidade infantil.
Em tempo, faculto à Câmara de Coimbra uma proposta de programa de sustentabilidade alimentar para implementar na rede escolar do Município, no próximo ano lectivo, com ganhos directos na saúde e na qualidade de vida das crianças e jovens e no meio ambiente. Manifestamos, desde já, total disponibilidade para colaborar na sua implementação.

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