Coimbra  28 de Fevereiro de 2021 | Director: Lino Vinhal

Semanário no Papel - Diário Online

 

José Santos Cabral

Proibição de Armas Nucleares – exigência da Paz

22 de Janeiro 2021

Hoje, 22 de Janeiro de 2021, pelas 00h00, entrou em vigor o Tratado Internacional de Proibição de Armas Nucleares. Culminando um trabalho de cinco anos na ONU o mesmo Tratado representa o primeiro instrumento multilateral juridicamente vinculante para o desarmamento nuclear.

É um começo de caminho, mas é, simultaneamente, um passo gigantesco para a Humanidade. Culmina um movimento mundial de consciencialização sobre consequências catastróficas das consequências do uso das armas nucleares com a potencial aniquilação do Homem.

Num momento em que a sociedade global necessita de uma nova Esperança o Tratado constitui inspiração na criação de condições de Paz e Justiça. Representa um tributo às vítimas das explosões, e testes nucleares, ao longo dos últimos setenta e cinco anos, as quais lhe dão a força moral fundamental. Como assinalou o Papa Francisco, referindo esta data histórica, importa a “…determinação para promover as condições necessárias a um mundo sem armas nucleares, contribuindo para o avanço da paz e da cooperação multilateral, de que a humanidade tanto precisa hoje em dia”

No total, 122 países aprovaram o Tratado na Assembleia Geral da ONU em 7 de Julho de 2017. Ratificado por 50 países e assinado por 86, o Tratado foi assinado por quase todas as nações de língua oficial portuguesa, nomeadamente Brasil, Cabo Verde, Guiné Bissau, Moçambique, São Tomé e Príncipe e Timor Leste.

Da comunidade dos países lusófonos Portugal não subscreveu o mesmo Tratado, considerando que “não responde à necessidade de desarmamento e não observa as preocupações de segurança de muitos países”.

A Comissão Diocesana Justiça e Paz de Coimbra manifesta o seu júbilo pela entrada em vigor do Tratado e a sua profunda desaprovação à posição de Portugal. Não compete ao nosso país assumir a defesa, ou a subserviência, perante interesses de terceiros, mas sim assumir o que lhe é imposto pela procura da Justiça e da Paz.

(*) Comissão Diocesana Justiça e Paz e Coimbra