Coimbra  22 de Setembro de 2021 | Director: Lino Vinhal

Semanário no Papel - Diário Online

 

Cândido Ferreira

Prestando contas aos meus amigos

3 de Setembro 2021

Depois de ter publicado o livro “Estórias deste mundo e do outro”, no final de Abril de 2021, uma colectânea de contos que ainda nem tive tempo de “lançar”, “mergulhei” logo de seguida numa reflexão sobre os textos que havia escrito, sobre a pandemia, visando dar forma e conteúdo às opiniões audazes, mas certeiras, que, durante todo o ano anterior havia explanado.

Apaixonado nessa “empreitada”, quase “desapareci do mapa” por um tempo que excedeu quanto imaginava. Por dois motivos: uma inesperada dificuldade em ligar assuntos técnicos, científicos, políticos, económicos e sociais, correndo o risco de lançar confusão sobre “evidências que até furam os olhos”; a que se juntou um suceder de arriscadas “acrobacias”, me obrigaram a visualizar, com algum cuidado, as prestações de alguns dos principais “artistas”.

Dou-vos agora anúncio desta morosa tarefa, que me ocupou quase quatro meses e de que nasceu um livro com 300 páginas, «COVID-19 – A Tempestade Perfeita – “História Clínica” da Pandemia». Tarefa morosa, até porque foi frequentemente interrompida pela gestão da minha própria casa, pela militância cívica centrada na APAR e que me permitiu conhecer pessoalmente Gouveia e Melo, por passagens em programas de TV, por algumas palestras para que fui convidado e pelos projectos museológicos, de que destaco o de Cantanhede. E ainda porque, sem olhar a partidos e sem nunca esquecer os amigos, também participei no apoio a vários cidadãos que, interessados nas autárquicas, elegeram essa trincheira para lutar por um Portugal melhor.

Derrotado o coronavírus, embora com fortes danos mundiais e ainda apreensões pessoais, entendi voltar a “despir a bata de médico”. Uma boa notícia recebi, entretanto: tendo anulado a minha inscrição na Ordem dos Médicos, foi entendido não me ser retirado o estatuto de sócio, acto que me permite manter o honroso “título” de médico que, embora na “bancada”, procurarei dignificar.

De “regresso ao mundo”, irei, a partir de agora, voltar a dar notícias com alguma regularidade, escrevendo sobre aquilo que me aprouver, enquanto junto material para vários livros.

Desde há algumas semanas, embora com riscos residuais e algumas precauções, também já dou abraços apertados àqueles que me são queridos. “Morrer nos braços dos amigos”, obviamente sem “pressas desnecessárias”, não é o mais importante que podemos levar da vida?

Desejo boa saúde a todos. E aturem-me…

(*) Médico jubilado e cidadão