Coimbra  20 de Setembro de 2020 | Director: Lino Vinhal

Semanário no Papel - Diário Online

 

Rui Alírio

Portugal – Forte e Inovador

14 de Julho 2020

Vivemos um tempo singular e desde a economia à educação, sempre com a saúde presente, não há sector que não tenha sido afectado pelo impacto da pandemia covid-19.

Mas também há boas notícias! Qual é a única economia do sul da Europa fortemente inovadora? E qual é o país que, ao nível dos 27 Estados da União Europeia (UE), lidera no âmbito da inovação das PME? É Portugal!

A Comissão Europeia divulgou há poucos dias o “European Innovation Scoreboard 2020”, como faz anualmente. Trata-se de um sistema europeu de informação capaz de monitorizar, comparar e analisar, a performance dos Estados-membros da UE, bem como outros países europeus e vizinhos regionais, em matéria de inovação. Esta análise comparativa do desempenho da inovação, avalia os pontos fortes e fracos dos sistemas nacionais de inovação e auxilia os países no reconhecimento das áreas que carecem de intervenção.

É por isso motivo de enorme satisfação o resultado agora conhecido, sobre a nossa performance em inovação, o que permite a projecção de uma imagem melhor e mais forte do nosso país.

Portugal, que tem sido até aqui um “moderado inovador”, está agora classificado como “fortemente inovador”! Este facto é tanto mais animador e auspicioso, que este mesmo Ranking Europeu de Inovação, mostra que o desempenho da inovação na Europa continua a melhorar em toda a UE, superando pelo segundo ano consecutivo os próprios Estados Unidos da América.

A Suécia continua a ser o líder da inovação da UE, seguida pela Finlândia, Dinamarca e Holanda. Portugal junta-se agora ao grupo dos fortes inovadores.

Apesar de continuarmos um pouco abaixo da média europeia no índice global, estamos bem mais perto dessa média e o relatório que nos classifica como fortes na área da inovação, coloca-nos agora no segundo grupo de países com um melhor desempenho, onde encontramos, por exemplo, a Alemanha ou a França.

Lembrando as posições que fomos sucessivamente ocupando, olhando a nossa posição em 2016, avançámos na globalidade dos principais indicadores, com excepção da área do financiamento à inovação. Neste particular, continuamos a ter em Portugal uma economia, que não raras vezes tem dificuldade em aceder a financiamento. É por isso importante, esgotar todas as possibilidades de acesso a financiamento, seja no quadro comunitário de apoio, seja via capital de risco, seja via business angels, seja via banca. Na prática, tem de se procurar onde possa existir.

É importante destacar que evoluímos bastante no indicador relativo à inovação empresarial. Ou seja, temos PMEs com melhor inovação ao nível de produtos, processos ou marketing organizacional. Estamos a falar ao nível de inovação interna das empresas. Confirma-se o vigor das empresas portuguesas para inovar.

É bom lembrar, que em Portugal produz-se conhecimento de excelência, emanado das universidades, politécnicos e dos centros de investigação. No entanto esta “investigação pura”, necessita de efectivamente passar a “investigação aplicada”. Ou seja, as empresas precisam de estreitar a ligação com as universidades, politécnicos e centros de investigação e vice-versa.

Temos todas as condições para evoluir e tornarmo-nos bem mais competitivos.

Michael Porter referia Portugal como estando “entalado” entre os modelos dos salários baixos e da economia do conhecimento.

Como viver num país de salários baixos parece-me estar fora de questão, sobra-nos a opção pela inovação e pelo desenvolvimento. Seremos mais fortes, se esse caminho for feito por todos!

(*) Gestor/Administrador no Coimbra iParque